Opinião
Mem�ria valorizada
Em reportagem providencial, a Gazeta de Alagoas abordou, na edição de anteontem, o desconhecimento que prejudica a preservação do patrimônio histórico alagoano, especialmente em sua versão arquitetônica (destaque-se que o mesmo mal atinge o patrimônio intangível). Apesar dos danos (alguns irreparáveis) sofridos pelo acervo patrimonial histórico e cultural alagoano, muito ainda pode ser salvo e preservado graças a um aumento da conscientização (do público e das autoridades) acerca do valor desse repositórios da memória brasileira situados em nosso Estado. Conforme listado pela repórter Paula Felix, esse tesouro se estende para além das edificações, dos bens móveis e alcança a valores tidos como ?comuns? e de ?pouco valor?, como os bolos confeccionados em Riacho Doce (sem falar que a própria região de Riacho Doce faz parte do imaginário (real) brasileiro desde quando José Lins do Rego ali ambientou um de seus escritos mais famosos, posteriormente transformado em seriado pela Rede Globo). Para falar em danos sentidos e irrecuperáveis, situando-nos apenas no item Arquitetura, nunca deveremos nos esquecer da desastrosa demolição do Bela Vista Palace Hotel, hoje uma lembrança presente nas fotos antigas, assim como a imponente Cadeia Pública (ou Cadeia Velha). A subversão da memória se manifesta inclusive na toponímia, onde nomes históricos como ?Rua do Sol?, ?Rua da Alegria?, apesar de legalmente resgatados, são relegados a segundo plano pelos poderes públicos e por parte do segmento privado. Em reforço às esperanças de que dias melhores virão, vale verificar que tempos piores já passaram, onde demolições aviltantes eram interpretadas como a eliminação de ?velharias?. Investir na educação cultural, valorizando a história local, é o único caminho para um amanhã verdadeiramente novo.