Opinião
A m�sica popular n�o merece isso
Trio de Ouro, Quatro Ases e um Coringa, Quarteto em Cy, Trio Esperança, Os Mutantes, Originais do Samba e Regional dos Professores, são exemplos de alguns grupos musicais do passado, cujos nomes já revelam sonoridade e lirismo, diferentemente da denominação da maioria das bandas surgidas nos últimos anos, sobretudo as de forró estilizado (universitário e eletrônico), tais como, as apelativas e de mau-gosto: Brucelose, Cachorra da Mulesta, Quenga de Coco, Rabo de Mel, Cabeça-de-frade e Discarada, entre outras. A esse respeito, o credenciado folclorista e antropólogo alagoano José Maria Tenório Rocha publicou o interessante ensaio ?Forró, Forró Eletrônico: Há Sinceridade Nisso?, inserido na série de estudos intitulada ?Cultura em Tempo de Debate ? 01?, no qual discorre sobre o forró pé-de-serra, o forró universitário, o forró eletrônico, e ainda trata das pretensões ideológicas, às denominações das bandas, concluindo que os nomes exóticos não objetivam valorizar as coisas do Nordeste, constituindo-se apenas numa forma estranha de chamar a atenção. Nesse trabalho, o pesquisador apresenta um adendo com 243 nomes de bandas de forró, colhidos nos Estados de Alagoas, Pernambuco, Sergipe, Paraíba, Ceará e Bahia, classificando-os conforme os seguintes exemplos: os de ?expressões telúricas? (Balaio de Gatos, Cheiro de Hortelã, Corisco do Trovão, Fumo de Gasto, Mandakaru, Bicho de Pé, Cheiro de Mato e Saco de Estopa); os que nomeiam ?comidas, bebidas e congêneres? (Acarajé com Camarão, Arruda com Alho, Cacau com Leite, Café Cuado, Caju com Mel, Bago de Jaca, Carapeba, Mel de Cacau, Pimenta-do-reino e Verde Limão); as de ?aspirações internacionais? (Adrenalina Country, Black Banda, Country Ban, Los Bregas, Mega Byte, Star e Zanzibar), e as que indicam ?apelos eróticos e sensuais? (Beijo Molhado, Calcinha Preta, Capim Canela, Cueca Branca, Facho Quente, Arranca Baço, Baba de Moça e Kent Arrochado). De acordo com o autor do livro Folguedos e Danças de Alagoas, os modernos grupos de forrozeiros estão angariando sucesso e tomando a vez dos baianos, que fazem a linha dos ?Tchans?, e de outros que executam igualmente músicas de apelo erótico, estabelecendo-se, desse modo, uma competição com a axé music. O fato é que a bonita e rica música popular brasileira não merece esse tipo de tratamento que demonstra a baixa qualidade do que tem sido apresentado ultimamente, nos diversos gêneros musicais, em nosso País. (*) É advogado, membro da Academia Maceioense de Letras e da Comissão Alagoana de Folclore.