Opinião
Impasses naturais
Até agora, a conferência de Copenhague está servindo a muitos objetivos, menos para a definição de um plano efetivamente eficiente para a redução do aquecimento global. O grande impasse da conferência das partes sobre o clima reside na resistência dos maiores poluidores em realizar quaisquer reduções significativas em suas emissões de gases causadores do famigerado ?efeito estufa? e/outros defeitos especiais causados à natureza em função da intensa atividade industrial. Capitaneados pelos Estados Unidos (o maior dos poluidores universais), os países mais industrializados não só põem os pés atrás para evitar recuos em seus próprios ritmos de crescimento como procuram fazer com que os menos desenvolvidos paguem o pato, abrindo mão de seus programas de desenvolvimento industrial (em benefício da manutenção do pique dos americanos, chineses, europeus e outros poucos industrializados). Só para citar um exemplo claro desse desencontro, basta comparar as proposições dos Estados Unidos com a do Brasil. Os americanos propoem-se a uma redução geral de suas emissões em 17% até 2020. Já o Brasil propõe uma faixa de redução de suas emissões entre 36,1% a 38,9%. Até um leigo no tema percebe a enorme desproporção e a impossibilidade lógica de se chegar a um acordo com tamanha disparidade em benefício dos já muito ricos. Quem quer que queira um lugar ao sol não poderá aceitar uma redução tão desproporcional como a desejada pelos países mais ricos. Não se deve esquecer que as potências poluem muito mais e, portanto, precisariam reduzir suas emissões em quantidades muito maiores que os menos favorecidos. Por sua vez, os ?emergentes? não podem aceitar serem jogados ladeira abaixo do processo econômico. Ou seja, a causa ambiental mundial segue sendo um sonho ainda distante.