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Opinião

Seguran�a de Barnab�

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Ao assumir a titularidade de uma delegacia de polícia metropolitana, resolvi ter uma conversa com os policiais integrantes da nova equipe de trabalho, começando por ouvi-los e, sem muita novidade, recebi as reivindicações sobre o que seriam as melhores condições de trabalho ? remoção de presos das delegacias, diminuição da carga horária de trabalho e/ou pagamento de horas extras, instalações dignas, equipamentos de investigação, viaturas, armas, etc. Na qualidade de gestor, indaguei a equipe sobre a produção de cada um. Quantos procedimentos policiais foram originados por prisões em flagrante feitas pela equipe? Quantos crimes foram desvendados graças às investigações da equipe? Quantos atendem às vítimas de crimes e documentam as circunstâncias em boletim de ocorrência (BO)? Resposta: nenhum. O processo é interessante ? o policial não investiga alegando que é desviado de função para vigiar preso; não registra BO porque não é escrivão; escrivão não interroga porque não é delegado; delegado não faz gestão eficiente, porque não dispõe de equipe e cobra concurso público; o delegado-geral é o recebedor de toda essa cantilena e que é cobrado para ser investigador geral. Os mais saudosos alegam engessamento provocado pela corregedoria, que estaria apurando todas as denúncias contra policiais sem prévia verificação da veracidade do conteúdo, e que assim estaria se transformando num centro formador de policiais omissos, o que representa um exagero, mas que tem lá um percentual de verdade. Outro ciclo se forma ? o policial não investiga, não prende, não se expõe, ficha limpa até o final da carreira e uma aposentadoria sem efeitos colaterais (cicatrizes das lesões em combate, ameaças de criminosos, perda da privacidade e convívio social como cidadão comum e alguns processos na Justiça). Com os turnos de trabalho de 24 horas de serviço por 72 horas de folga, não há como estabelecer vínculos do policial com sua instituição, com a investigação, muito menos com a comunidade, até porque o turno do crime é diferente: 24 horas por dia. Uma equipe faz levantamento de local no dia do crime, a seguinte vai entregar as notificações para inquirições, sem saber as particularidades daqueles documentos e grau de periculosidade e envolvimento dos notificados. A próxima recebe os estranhos notificados; segue a terceira equipe que poderá ter as mesmas missões de outro crime. Nenhuma equipe fecha o ciclo completo de uma investigação e assim tornam-se funcionários públicos comuns. O bom profissional de segurança não fica 72 horas sem fazer nada, vai para o bico na área privada que exige produtividade e maior empenho no emprego de suas habilidades. Sai cansado e vai para a polícia. Surge a esperança de um piso salarial nacional, que corrija as diferenças salariais entre Estados e carreiras, já aprovado no Senado Federal, e assim vincular o policial à polícia. (*) É delegado de Polícia Civil ([email protected]).

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