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O frio de Copenhague

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Novamente, infelizmente, dissiparam-se as ilusões sobre um grande e inédito acordo mundial voltado para a recuperação do meio ambiente terrestre. E olhe que o sonho sonhado não é tão gigantesco assim, afinal o mote (desde Kioto) se restringe a uma tentativa de controlar o aquecimento global. Mas, conforme previsto, esse ?acordão? ainda está mui distante. Apesar do modismo em alta que orienta os holofotes da mídia internacional para o tema ambiental, apesar dos bons negócios que a ecologia está cada vez mais a gerar, ainda é pura ilusão um compromisso que faça os países mais poderosos do mundo frear seus parques industriais. Naturalmente reconhecer esta realidade não deve causar um desaquecimento nas pressões por um mundo ecologicamente mais equilibrado, movimento que deu um grande salto de qualidade na realização da ECO 92, evento puxado e organizado pela ONU em parceria com o governo brasileiro de então. Há 17 anos, em função da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, a questão ambiental deixou de se restringir às comunidades alternativas e passou, efetivamente, a ser uma questão de Estado entendida como tal pela imensa maioria dos países, inclusive as potências poluidoras (digamos assim), depois das tentativas iniciais de Toronto (Canadá, 1988) e Sundsvall (Suécia, 1990). Aquele foi um avanço do qual o mundo não pode jamais recuar. Mas novos saltos, como o tentado em Kioto (Japão, 1997) topam num obstáculo enorme, ainda intransponível: a redução real da produção industrial. Quem quer produzir menos? Quem quer ser mais pobre? Qual país deseja ser menos poderoso? Não sem razão, os principais obstáculos a um acordo mundial de envergadura digna deste nome, sobre o aquecimento global, foi esfriado pela ação dos EUA e da China. E, naturalmente, ninguém ouse propor aos países em desenvolvimento (como o Brasil) uma puxada em seus freios de mão (!). Mas a esperança persiste, e o frio resultado de Copenhague, ao fim e ao cabo, não congelará o ardor da defesa de um mundo sustentável.

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