Opinião
Pobre crian�a
Crianças vítimas de todo tipo de violência viraram rotina nas páginas policiais. A última e uma das mais bárbaras histórias aconteceu no interior da Bahia, quando o padrasto querendo atingir a mãe, torturava o filho dela, um menino de dois anos, aplicando agulhas com a intenção de matá-lo. Um verdadeiro rito satânico, cheio de más intenções, falta de amor e de corações carregados de podridão e pecados. Pobre inocente criança sofrendo cheia de agulhas num hospital em Salvador, longe de casa em pleno Natal! Fatos narrados e noticiados envolvendo crianças não são novidades. Cada vez mais o homem se mostra menos humano. Na semana do Natal, também nos preocupamos tanto com os rituais do Natal: a ceia, a troca de presentes, a festa em família; que ignoramos outra criança. Desconhecido naquela noite fria em Belém, prestes a nascer, sem ter onde repousar, longe de casa, o inocente Filho de Deus vinha a um mundo agitado, confuso, carente de amor e perdão. (Conforme o relato bíblico de Lucas capítulo 2). Uma criança pode ser vista como uma intrusa, atrapalhando planos, projetos e sonhos pessoais; mas também pode ser sinônimo de vida nova, esperança e continuidade de uma história. Aquela criança rejeitada em Belém é a mesma esquecida na noite de Natal, sua festa, por nós! E conhecer a história desta criança é compreender a intenção de Deus em revelar seu grande amor pela humanidade. Para proteger seus filhos amados, Deus permitiu que a humanidade maltratasse esta criança com pregos, açoites e com a própria morte. Olhar para aquele ser humano e vivenciar o sofrimento por ele passado é algo que não podemos esquecer. Pois como afirma o profeta Isaías: ?Ele foi rejeitado e desprezado por todos; ele suportou dores e sofrimentos sem fim. Era como alguém que não queremos ver; nós nem mesmo olhávamos para ele e o desprezávamos. No entanto, era o nosso sofrimento que ele estava carregando, era a nossa dor que ele estava suportando... Nós somos curados pelo castigo que ele sofreu, somos sarados pelos ferimentos que ele recebeu? Isaías 53.3-5. O amor incondicional de Deus por nós parece história de gente maluca e sem coração. Mas o plano de Deus em se oferecer a si próprio atravessa os tempos e razão, comprovando que Deus se preocupa sim com pecadores. Eis o sentido real e duradouro do Natal. Mesmo que esqueçamos, ignoramos e ?matamos? aquela criança, a promessa fica: ?Eu nunca esquecerei vocês?. Feliz Natal! (*) É teólogo e pastor da Igreja Luterana.