Opinião
O Natal e a economia
Preenchendo espaços nas pautas natalinas, uma das matérias disponíveis na internet informava aos leitores acerca da opinião de um economista americano chamado Joel Waldfogel. Segundo ele, o desperdício seria a marca dessa tradição natalina, especialmente em países como o Brasil. Segundo Waldfogel, os cinco países onde mais se gasta dinheiro com presentes nesta época seriam: Hungria, Itália, Portugal, Brasil e Noruega. As análises do pesquisador americano, em grande parte, têm lá sua lógica ? como a ocorrência evidente, e recorrente, do presente não agradar o presenteado. Dessa e de outras constatações, ele avalia que essa onda de compras ?não ajuda a economia?. Uma conclusão precipitada, mas merecedora de atenção. O furor presenteador natalino é uma contribuição inegável à economia. Essa é uma questão tão importante que merece ser mais estudada até para prevenir, por quaisquer motivos, arrefecimentos nesse ímpeto. Ao movimento de compra & venda está obviamente agregada uma teia produtiva, especialmente tecida para dar suporte a essa explosão do consumo. Apesar de ser um evento de um único dia, é permanente (sem riscos de circunstanciais cancelamentos). E provoca uma gama de investimentos na produção, publicidade, geração de empregos, e tudo mais. Resta o aparentemente inevitável risco da incompatibilidade entre presente e presenteado. Seria esse desencontro uma tragédia? O próprio pesquisador, em seu trabalho, sugere forma de eliminar, ou reduzir significativamente, essa possibilidade: o cartão-presente (ou vale-presente), o presente em dinheiro... Enfim, a esses pequenos problemas podem ser oferecidas soluções simples. O mais importante, ao contrário do suposto pelo nobre estudioso, é entender que o hábito de presentear no Natal é um dos mais salutares costumes para a economia.