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Os amigos e as horas

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Joaquim Ferreira dos Santos é o biógrafo de Antônio Maria, este pernambucano, fascinante personagem que emigrou para o Rio e que se imortalizou não só pela criação de obras musicais consagradas do cancioneiro nacional, que se caracterizavam pela imensa sensibilidade, como Ninguém me Ama, Manhã de Carnaval e alguns frevos de bloco, como também por ter sido em seu tempo o cronista mais lido do Rio de Janeiro e ainda ele próprio um dos maiores contribuintes do folclore mundano da então cidade maravilhosa. Conta JFS em sua obra ?Um homem chamado Maria?, que Aracy de Almeida, a maior interprete de Noel Rosa, sendo muito amiga de Maria, um dia chegou em sua casa e como a porta estava aberta foi entrando. Defrontou-se então com um espetáculo impressionante: Maria que era muito grande e gordo estava de quatro pés, no chão, nu com o imenso traseiro voltado para a porta, tentando inutilmente introduzir em si próprio um supositório. ?Graças a Deus Aracy, já tentei todas as posições e não consegui nada?, exultou o célebre compositor. ?Me ajuda com esta porcaria aqui!?. Aracy cumpriu com a missão de forma exemplar e Maria pôde então esvaziar as tripas dos exageros nelas retidos por indescritíveis e homéricas farras das vésperas. Os amigos ocupam não só nosso tempo, como nossa mente. Tenho o privilégio de tê-los não só no trabalho, como nas caminhadas diárias ao nascer do sol na orla da Pajuçara, costume já de trinta anos. Lá, começamos o dia espairecendo, com companheirismo, amenidades e brincadeiras. Todavia, o padre Manuel Bernardes dizia que: ?Amizade procedida de comer, beber e passear juntos não merece o nome de tal, nem tem firmeza?. Embora de muitos deles precisemos, a vida não é só lazer, descontração e amenidades; os momentos de dificuldades aparecem para todos e muitas vezes de maneira totalmente imprevista, nos causando estupefação. Problemas de todos os tipos rondam o nosso dia-a-dia e, entre eles, as questões de saúde, certamente entre as mais sérias. Muitos, nestes momentos de festividades de fim de ano, pediriam com todo o fervor, como principal e até único presente apenas o restabelecimento da saúde ? nada poderia fazê-los mais felizes. Por estas e outras, é que além da família, base da nossa sobrevivência, razão maior de nossa luta diária e que sempre precisa estar junto, os amigos que além de conviver nas horas de lazer, também nos chegam às horas difíceis, são como dizia Voltaire, um benefício dos deuses. Que 2010 traga a todos os nossos leitores muita saúde, paz e tranquilidade. (*) É médico e professor da Uncisal.

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