Opinião
�gua e energia el�trica
Os sistemas de abastecimento de água e de esgotamento sanitário brasileiros consumiram quase 9,6 bilhões de kwh em 2006 ou cerca de 3% do consumo total do País, segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS-2006), da Secretaria Nacional de Saneamento (SNSA) do Ministério das Cidades. O volume representa um gasto anual dos prestadores de serviços de saneamento com energia elétrica da ordem de R$ 2,5 bilhões. Considerando uma possível economia de cerca de 25%, o custo anual da ineficiência energética no setor representa um gasto adicional de cerca de R$ 600 milhões, que poderiam ser revertidos para a melhoria dos próprios sistemas. A energia elétrica é o segundo maior custo no saneamento; perde apenas para os gastos com recursos humanos. Além dessa condição operacional e financeira do saneamento na matriz de consumo de energia elétrica, ele é, para os prestadores dos serviços de distribuição de energia elétrica, um grande cliente, sendo nos Estados do Norte e Nordeste, grandes contas para aquelas distribuidoras. Apesar disso, é um maltratado cliente pelo setor energético no Brasil. Como ainda há uma grande interferência da equivocada visão de que os serviços de saneamento não são autossustentáveis e devem ser bancados pelo poder público, não se prioriza a redução da verdadeira ineficiência energética no setor. Há alguns anos a Eletrobras coordena um bem-sucedido programa de uso racional de energia elétrica, o Procel, hoje uma marca para indústrias e população usuária de aparelhos elétricos. No setor de saneamento, desde 2001, não conseguiu resultados sustentáveis, em parte por insistir em desconhecer características operacionais dos sistemas de abastecimento de água e de esgotamento sanitário e, de outra parte, por impor limitações na captação de recursos financeiros. Reduzir perdas nos sistemas e racionalizar o uso da energia elétrica são ações importantes para melhorar a qualidade dos serviços e contribuir para a eficiente gestão de recursos hídricos. No entanto, atuar junto aos serviços de saneamento sem realizar uma ação integrada, que busque também a solução para a baixa qualidade da energia elétrica fornecida ou ainda sua oferta insuficiente para o acionamento das bombas nos sistemas de abastecimento de água e de esgotamento sanitário, é continuar contribuindo para a manutenção do desperdício de dinheiro e de tecnologia. A ineficiência energética nos serviços de saneamento não passa apenas pela substituição de motores ou colocação de novos equipamentos em quadros de comando. É preciso ter energia elétrica em quantidade e de boa qualidade nas cidades e na zona rural. (*) É engenheiro civil e diretor Nordeste da Abes.