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Editorial

Ponto de equilíbrio

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A discussão sobre mudanças na jornada de trabalho merece ser tratada com muita seriedade, independentemente da disputa eleitoral. De um lado, a proposta defendida pelo Presidente Lula, em tramitação no Senado, prevê o fim da escala 6x1, jornada semanal de 40 horas, dois dias de repouso e manutenção dos salários. De outro, a alternativa apoiada por Flávio Bolsonaro prioriza a flexibilidade, permitindo que a duração do trabalho seja definida por diferentes formas de negociação, com limite de 44 horas semanais.

As duas visões respondem a preocupações legítimas. A redução da jornada pode ampliar o tempo de descanso e melhorar a qualidade de vida, mas também exige avaliar seus efeitos sobre custos, produtividade e setores que dependem de funcionamento contínuo. A flexibilização, por sua vez, pode atender a diferentes realidades profissionais, desde que não resulte em relações assimétricas que fragilizem o trabalhador.

Cabe ao Congresso buscar um ponto de equilíbrio entre proteção social, liberdade de negociação e sustentabilidade econômica. Mais do que uma disputa entre governo e oposição, a mudança na jornada afetará milhões de trabalhadores e empresas. Por isso, o debate deve considerar evidências, transição adequada e as particularidades de cada setor, evitando soluções uniformes para uma realidade tão diversa.

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