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Pra n�o dizer que passei em branco

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Se, por um lado, não revelando as datas em que foram escritas algumas de suas crônicas ? reunidas em livro, recentemente lançado, Pra não dizer que passei em branco ? Dêvis de Melo deixa-nos curiosos para estabelecê-las, por outro, faz-nos ver que parecem tão oportunas que poderiam ser de sua lavra atual, as que tratam da política, seus manipuladores e suas mazelas. No capítulo ?Ponto final? confessa-nos quando, abandonando o jornalismo, enveredou pela vida rural, cuidando de sua fazenda, isso no fim dos anos setentas do século passado. Portanto, a maioria escrita há mais de trinta anos. Tudo numa linguagem jornalística contundente, mas com a ética e a elegância características de sua personalidade. Se não, vejamos. Em ?Corrupção tem história? é peremptório: ?A corrupção continua em voga. Corrompe-se, furta-se, praticam-se negociatas. O patrimônio comum é sistematicamente dilapidado em benefício de poucos?. E, já que estamos às vésperas de eleições, em ?Sempre cabe mais um? ressalta: ?De modo geral, chega-se à conclusão de que três coisas são essenciais para disputar uma eleição; a primeira é dinheiro, a segunda é dinheiro, a terceira é mais dinheiro... porque a capacidade financeira tende a ser mais valorizada que a aptidão intelectual?. Ainda no mesmo tema, em ?Vale tudo?, tratando sobre os conchavos dos políticos para as eleições iminentes, diz ficarem os analistas curiosos de como vão conduzir tais entendimentos quando são ?... capazes de acomodar no mesmo balaio representantes de diferentes agremiações, sejam de direita, do centro ou de esquerda... Não interessa se ontem estavam em lados opostos?. Assim como hoje; tanto os de alhures como os da província fazem o mesmo. É magistral em ?Pela cor?: ?Misturar alhos com bugalhos na mesma panela, na maioria das vezes para atender a compromissos temerários e contemplar amigos mal intencionados ou incompetentes, resulta quase sempre em tornar o caldo indigesto, alastrando-se os efeitos de suas bactérias contaminadas, aí sim, pelas entranhas de toda a sociedade?. Cá estamos nós absorvidos por essa contaminação, sem perspectiva de mudança no comportamento dos que deveriam ser os responsáveis pela conduta da Nação. E, quando seu próprio chefe é leniente, acobertando ou fazendo que não vê as vilezas de seus asseclas, vale voltar ao Dêvis, quando cita Vieira: ?Aquele que tem obrigação de impedir que se furte, se não o impediu, fica obrigado a restituir o que se furtou?. (*) É bacharel em Economia.

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