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Decreto para 2010, um complemento da utopia

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Thomas Morus, escritor inglês, criou a palavra ?utopia?, que tem como significado a visão de um país imaginário onde todos vivem felizes, tranquilos e em ótimas condições de vida. Baseado nas ideias do autor, imaginei o que poderia fazer se minha ?fada madrinha? me possibilitasse utilizar sua varinha de condão, de tantos e extraordinários poderes mágicos. Baixaria um decreto que mudaria a face do planeta dominado por tantos contrastes e discriminações. Assim seriam seus dizeres: A partir de hoje fica decretado que a vida de todos os seres será verdadeiramente o bem mais precioso do planeta e que toda a humanidade irá trilhar o caminho do amor, do respeito, da solidariedade e da paz sobre a Terra. A partir de hoje é proibido ser infeliz. Todo ser humano terá um pé de alegria plantado em seu coração, sendo obrigado a perceber todo colorido da vida e a presença divina em cada elemento do planeta. A partir de hoje um ser humano nunca mais duvidará de outro. A confiança mútua será restabelecida e todos poderão unir-se em comunhão e plenitude, vivenciando o doce sabor da harmonia entre as pessoas. A partir de hoje é proibido não ter amigos. E, com isso, todos os amigos estão obrigados a separar as segundas-feiras para conversas prazerosas, ações agradáveis e dar muitas gargalhadas juntos. Parágrafo único: toda segunda-feira passará a ter o colorido de um domingo de sol. A partir de hoje fica decretado que o dinheiro jamais decidirá sobre a vida ou a morte. O dinheiro será utilizado como ferramenta universal, que circulará de forma igualitária entre todos os homens. A partir de hoje estão anuladas todas as formas de insensibilidade, rancor e ódio. Todos os corações humanos guardarão apenas amor e gratidão. As crianças serão educadas com sabedoria. Os idosos passarão a ser tratados com respeito e seus desconfortos serão aliviados com o bálsamo da solidariedade. A partir de hoje fica permanentemente decretado o fim da violência, das guerras e da intolerância racial e religiosa. Todas as pessoas de todas as cores serão livres, iguais e felizes. Mesmo sabendo de minha impossibilidade em baixar tal decreto, acredito na necessidade de contribuirmos, conjuntamente, para a construção de um mundo melhor e mais justo. Feliz 2010. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.

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