Opinião
A d�cada e a paz
Como é praxe a cada fim de dezembro, avaliações do ano são pauta obrigatória em todos os veículos de mídia. Ao se encerrar, 2009 oferece uma pauta adicional, pois está sendo encerrada também a primeira década de um século ainda novinho em folha. Não é fácil, nem simples, porém, analisar com a devida precisão, em poucas linhas, este decênio inicial do século 21. Afinal, esta centúria havia sido anunciada exaustivamente, como um tempo de grandes esperanças. Especialmente a paz era almejada com entusiasmo extraordinário. Em carnificinas este novo século nasceu igual aos anteriores. E a primeira década está marcada por sangue, vertido nas guerras de invasão (Iraque, Afeganistão), nos atos de terrorismo (o terrível 11 de setembro de 2001 marcará não só a década, mas todo o século), no recrudescimento de conflitos étnicos e territoriais (África e Oriente Médio, por exemplo) e no crescimento assustador do crime organizado em várias regiões do globo (turbinado pelo tráfico de drogas e armas). Numa contabilidade negativa, esta primeira década se encerra em vermelho-sangue. E de nada adianta chorar sobre o sangue derramado. O primeiro passo é tomar consciência desta realidade e se imbuir da missão, de enquanto simples cidadão e cidadã do mundo globalizado, lutar para mudar tal estado de coisas. O alvissareiro neste cenário violento é a valorização crescente da opinião pública, cada dia uma arma mais poderosa, multiplicando-se e integrando-se através das teias abertas da internet. Conflitos sanguinolentos e desumanos não são nenhuma novidade na história. O novo, neste século, é a possibilidade de cada pessoa se articular por conta própria em torno de ideias e ideais. Certamente, esta é a mais nova chance para a paz no mundo. Uma esperança com imensos obstáculos à sua frente, mas é algo digno no que se apostar.