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Natal no plural

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Então, é Natal? Diante da intrínseca polissemia do termo, melhor seria anabolizar o singular e dizer: então, são Natais. Identidades esperançosas e desesperançadas dão as mãos, enquanto os olhares lançam-se em horizontes bem particulares. Identidades formadas nessa fervura de historicidades que são as marcas dos relatos humanos no mundo. Mesmo plurais tais identidades estão articuladas e entrelaçadas, influenciando-se reciprocamente, sem anularem umas as outras. Nesse aspecto, o subtítulo com sua metáfora: de mãos dadas, olhando para lados opostos. Essa dicotomia (esperança/desesperança) aparenta ser o efeito de outro par dicotômico, esse formado por síntese/antítese (Jesus/Papai Noel), a visão cristã e a capitalista. De forma paradoxal, o aniversariante (Jesus) vem sendo cada vez mais preterido em valor ao presente (Papai Noel). Esteticamente até as cores são as mesmas, o branco e o vermelho, como outra dicotomia, simbolizando o conteúdo e a forma. Todos correm, aparenta ser difícil diagnosticar para onde, contudo fácil perceber os porquês. O que resta às identidades que dividem o mesmo espaço/tempo, mas olham para horizontes distintos? Para os esperançosos, a fé na fraternidade, para os desesperançados, a aposta no consumo. Conviver/Competir, mais uma dicotomia. O olhar só pode mirar tais pólos extremos? Duvidamos. A receita é antiga, embora um tanto esquecida. A busca de um meio termo virtuoso entre tais extremos: Jesus/Papai Noel. Meio termo tolerante, convívio com as individualidades, abstenção de toda exclusividade. Uma vez mais o título: Natal no plural. Pois se o passado já foi concretizado, não pode ser ?feito? como se fora presente, o futuro ?pode ser concretizado?, mas em se concretizando deixa de ser futuro para ser presente. Esse, o nosso lugar no mundo, um lançar-se sem segurança na esperança de acertar sem deixar de assumir o risco de errar. De mãos dadas sim, olhando para lados opostos talvez, mas sempre com a possibilidade de olhar diferentemente para o mesmo lado tolerantemente. Esse o natal no plural! (*) É doutorando em Teoria Geral e Filosofia do Direito (UFPE) ([email protected]).

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