Opinião
Aquecimento global: Copenhague fora de foco
O mundo tem mais de 1,6 bilhões de pessoas desnutridas, sem expectativa de vida, vivendo em guetos sem as mínimas condições humanas, incluindo milhões de crianças. E o Brasil não fica fora desse contexto. A cada ano, tal contingente é engrossado por novos habitantes, predominando a classe pobre pelas razões conhecidas de todos. Isso quer dizer que se todos fossem iguais, como desejava Jesus não teríamos alimentos suficientes para facultar 3 refeições diárias. A fome é, portanto, o problema maior da humanidade. Mas, o que está acontecendo lá em Copenhague? Reuniões de custo altíssimo, com os poderosos preocupados com o aquecimento global, dispostos a investir bilhões de dólares para reduzir as emissões de CO2, um inimigo à distância, cuja gênese é contestada. E o Brasil? Disposto a fazer sacrifício, disponibilizando milhões de dólares para evitar o aquecimento global? E para os pobres brasileiros, nada? Por que essa preocupação ecológica dos países ricos? Estão com medo de perder a hegemonia para a China, para a Índia e tantos outros que estão se desenvolvendo, melhorando a sua qualidade de vida e acabando com a miséria? Sempre os ?Desenvolvidos? visaram os ganhos econômicos e nunca deram vez aos países pobres. As taxações alfandegárias, as vendas de armas, as invasões pelo petróleo e a imposição tecnológica. E aí estão também as grandes empresas ditando os seus interesses. Tempos atrás foi a questão dos CFCs, o vilão da camada de ozônio. Só se falava nisso. O produto tinha perdido o direito de patente, tornando-se do domínio público, e elas teriam que substituí-las para cobrarem royalties. Hoje, os ecologistas calados, nem se lembram. Vamos raciocinar. Com toda tecnologia, os meteorologistas não conseguem prever se vai chover ou se a tsunami vai se formar, quando os ?Al Gores da vida? já quantificam os efeitos do aquecimento global daqui a 50 ou mais anos, identificando até os locais de maior catastrofismo, incluindo a Amazônia e o nosso sofrido Nordeste. Há lógica nisso? Por outro lado, a história tem exposto os acontecimentos cíclicos de aquecimento e de resfriamento, nada tendo a ver com o cigarrinho do humilde pequeno agricultor, nem com os arrotos dos bebês e, tampouco, com as ?bufas? dos bovinos, ovinos e caprinos. São fenômenos relacionados à própria natureza. O homem também comete crimes pelo mau uso do solo e da água, mas que não ?dão Ibope?. E por falar nesses dois, os lá de Copenhague não se tocam na degradação edáfica e nem na escassez de água, dois problemas iminentes que ameaçam o ?dicomer e o dibeber? de todos nós. Preferem viver nas nuvens, literalmente. (*) É engenheiro agrônomo ([email protected]).