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2010, um ano verde?

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No rol de esperanças traçado para este ano ainda novo, a questão ambiental continua sendo uma das prioridades, mas, em todo o mundo, a agenda verde ainda se ressente dos cinzentos resultados da reunião de Copenhague. A grande frustração global é que Copenhague não conseguiu superar nem Kyoto (1997) nem o Rio (Eco 92). Mas, a bem da verdade, o sonhado para Copenhague nunca passou de um sonho, pois é pura ilusão, nos dias em curso, um compromisso rigoroso dos países mais poluidores em reduzir significativamente suas emissões causadoras do estufa. A grande contradição segue sem ser equacionada. Ou seja, como construir um compromisso no qual os países mais industrializados venham a abrir mão de seus ritmos de produção fabril? E não só os industrializados. Os ditos países em desenvolvimento igualmente têm enormes dificuldades em atender às demandas ambientalistas, mesmo que esgrimam propostas avançadas (na teoria), pois o desafio de seguir adiante na maratona econômica ainda exerce muito mais pressão que os anseios ecológicos mundiais. Outro ponto importante a se levar em consideração é a suposta manipulação de dados científicos, debate que não pode ser varrido para baixo do tapete. Em nada ajuda a causa ambientalista silenciar sobre as acusações sobre possíveis interferências indevidas em resultados de pesquisas climáticas como as divulgadas, no ano passado, sobre componentes da Unidade de Pesquisas Climáticas da Universidade de East Anglia, na Grã-Bretanha. Todas as dúvidas devem ser desfeitas, todas as suspeitas éticas devem ser esclarecidas no sentido de que as referências científicas possam nortear a luta política ambiental e não o contrário. Em 2010, a causa ambiental precisa ter uma agenda clara e redefinida, exatamente em função dos cinzentos resultados de 2009.

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