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Opinião

Os pardais azuis

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Na campanha das eleições municipais de 2004, o candidato à Prefeitura de Maceió pela oposição, prometeu desligar um equipamento que a prefeita de então, com seu consentimento, autorizou uma empresa privada instalar num dos cruzamentos da Av. Dona Constança. Ao ser eleito, segundo noticiou a imprensa local, demagogicamente subiu ao poste e o desarmou. Chamavam ao tal equipamento que fotografava as transgressões ou não (diziam que era programado para qualquer eventualidade), de pardal. Hoje temos dezenas, talvez uma centena de pardais, agora travestidos com fardas azuis que em qualquer situação do condutor de veículo, mesmo com dor de ouvido, levantou a mão é logo autuado. Aparecem arrogantes, como se juízes de última instância fossem, debaixo das arvores, atrás de um poste ou mesmo num muro de esquina, blocos na mão a anotar a bel prazer os motoristas que talvez não os simpatizem ou, quem sabe, instruídos para fazer receita para pagamento de suas folhas. De veículos novos, trafegam empavonados a continuar a multar sem dó nem piedade. A quem apelar das injustiças cometidas pelos doutos das leis de transito? Será que a seccional da OAB poderia, mais uma vez a nos servir e orientar contra os abusos a eles computados? Não adianta ao cidadão elaborar e fazer sua defesa. Todas são sistematicamente rejeitadas e as multas seguem contabilizadas e pagas na renovação do licenciamento do veículo. É a palavra do cidadão contra a do agente de trânsito. Provas, que provas? No antigo pardal ao menos se tinha a foto como recordação e ao transgressor cabia contestar os dados emitidos. Temos observado em cidades melhores administradas que os agentes de trânsito não se prestam tão somente para fiscalizar, mas principalmente para orientar e fazer fluir o trânsito. Aqui a qualquer desligamento de semáforo os nossos pardais azuis ficam atarantados, sem iniciativa para o que se espera deles: apito na boca usando-o insistentemente, agitando os braços para que o trânsito não pare e que, sob o efeito ?onda? não fique totalmente congestionado. Uma curiosidade a todos acomete. Qual a arrecadação anual de multas no trânsito de Maceió que a municipalidade se apodera? Será que nossos vereadores fiscalizam sua destinação? Além de aplicar nos equipamentos específicos para melhoria do setor, poderiam destinar parte dessa arrecadação ao plantio de árvores para quem, como nós, as chamamos de amigas quando se tem a sorte de parar em suas sombras em pleno sol de verão no caótico trânsito de nossa capital. (*) É engenheiro.

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