loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Reconhecer-se nas obras liter�rias

Ouvir
Compartilhar

Ensina-nos a pensar quando nos vemos refletidos sobretudo em obras de literatura: romance, poesias, roteiros cinematográficos. Quantas vezes, refletindo sobre os grandes romances da literatura mundial e nacional, lendo e saboreando poesias de alta inspiração ou vendo filmes de diretores geniais não acordamos para problemas fundamentais da vida humana! Então, aprendemos a pensar, em profundidade, no problema do amor, da morte, da liberdade, do sofrimento, da injustiça e nos de tantas outras experiências básicas da condição humana! As pessoas passam, morrem, desaparecem do cenário da vida. Mas, se deixam obras literárias permitem que dialoguemos com elas pela via da leitura. Elas partiram, ficando nas suas obras escritas para que pudéssemos com elas dialogar. Ler é um imenso privilégio. Lança-nos pontes incontáveis de contatos com os grandes gênios da história escrita. Não nos foi dado seguir as aulas de Platão, nem de Aristóteles, nem ouvir os sermões de Crisóstomo ? o ?Boca de Ouro? ? nem frequentar as ?lectciones? de Santo Tomás de Aquino, nem as reflexões de Santa Teresa de Jesus, nem mesmo os diálogos espirituais entre São Francisco de Assis e Frei Leão nas longas viagens que faziam pelas aldeias da pobre cidade de Assis; enfim, não podemos conhecer tantos e tantos homens e mulheres ilustres de nossa história humana. Entretanto, ainda hoje, no silêncio do nosso quarto, podemos encontrá-los vivos pela leitura de seus escritos. Ler obras literárias é mergulhar em mundos ricos de experiências que nos possibilitam reconhecer o nosso próprio mundo e valorizar as experiências de todas as pessoas. Aprendemos a descobrir que, na aparência de uma pessoa qualquer, pode haver mistérios profundos de amor, de dor, de lágrimas, de felicidade, de que nunca teríamos ideia, se não nos tivéssemos habituado a ler. Afirma Alain que não há outro método de pensar sobre si mesmo, a não ser lendo os pensadores. Aprender a pensar é, portanto, afrontar um texto consistente e procurar compreendê-lo, assimilando-o, por um manuseio longo e contínuo que nos faz atingir o ?plaisir du texte?, de que nos fala Rolland Barthes. (*) É bispo emérito de Palmeira dos Índios e presidente da Academia Alagoana de Letras.

Relacionadas