Opinião
Perigo em tr�nsito
Infelizmente, os feriadões têm sido recorrentes em crescimento dos acidentes em estradas. A cada balanço sobre os sinistros ocorridos nas rodovias brasileiras fica evidente a precariedade e a letalidade do nosso sistema rodoviário. Em Alagoas, o feriadão de virada do ano deixou um saldo lamentável de 88 acidentes, enquanto que todo Brasil registrou 100 vezes mais ocorrências. Comparando a relação de acidentes rodoviários acontecidos neste início de 2010 com o mesmo período do ano passado, a contabilidade feita pela Polícia Rodoviária Federal identifica um crescimento na ordem de 4%. E o pior é que temos de reconhecer que, independente dos feriadões, as rodovias brasileiras, cada vez mais, transformam-se em vias de alta periculosidade, em função de suas péssimas condições de conservação, deficiências crônicas em sinalização e, principalmente, ausência de políticas de modernização desse setor essencial. Quando se fala de modernização do sistema viário brasileiro devemos ter em mente que as demandas não podem se restringir à malha rodoviária. Além de se modernizar as rodovias, o Brasil precisa revitalizar suas ferrovias, dinamizar a navegação de cabotagem e as vias pluviais, sem falar numa reestruturação de alto nível no segmento aeroviário (com ênfase na regionalização). Sem outras opções, as demandas crescentes em transporte tendem à concentração nas estradas, numa multiplicação dos riscos hoje existentes. Só para citar um exemplo prático, há décadas, a ligação entre Maceió e Recife podia ser feita por trem, avião, navio e automóvel. Hoje descartadas as alternativas ferroviárias e portuárias, e com o altíssimo custo estabelecido para a opção aeroviária, todo o tráfego entre Alagoas e Pernambuco está sobreposto nas precárias estradas (duplicação das vias, nem pensar). Não há como não crescerem os riscos.