Opinião
Padre Te�fanes Augusto de Ara�jo Barros
Na minha infância e adolescência, estudei no Colégio Guido de Fontgalland, onde cursei o ginásio e o científico de 1966 a 1973. O velho casarão, como era chamado carinhosamente pelo padre Teófanes Augusto de Araújo Barros e por muitos de seus ex-alunos, foi a minha segunda casa, recebendo ensinamentos formais, artísticos e culturais. Teófanes de Barros era teólogo por formação e possuía vasto conhecimento filosófico, artístico e literário, sabendo ler, escrever e falar latim, grego, francês, espanhol, italiano, alemão e inglês. Ele falava em tom baixo e, subitamente, aumentava o tom e a fluência verbal, retomando ao tom baixo, uma característica da sua oratória. Para a alegria dos meus colegas de sala de aula, eu o imitava com interpretação gestual e impostação de voz. Certa manhã, enquanto aguardávamos o professor, padre Teófanes parou na porta da sala de aula e ficou observando eu imitá-lo, para o espanto dos meus colegas. Percebi que olhavam para a porta, alguns sorridentes, outros assustados. Olhei para o padre mas continuei a imitá-lo, mesmo tendo, depois, ficado receoso de ser encaminhado à sala do professor de educação física e chefe de disciplina Edson Mata, temido por aplicar aos alunos indisciplinados a suspensão das aulas por uma semana e a prática de exercícios físicos às cinco da manhã, com prévio entendimento com os pais do aluno, condição para o seu retorno ao colégio. Padre Teófanes de Barros sabia da minha traquinagem e que eu o imitava porque o admirava. Ele adentrou a sala e conversou um pouco sobre Guido de Fontgalland, a quem denominara a escola em sua homenagem. Não comentou sobre a minha atitude e não solicitou que me retirasse da sala. Não se incomodava por eu imitá-lo e, para a minha surpresa, convidou-me para participar do grêmio artístico, que se realizava às sextas-feiras, às 11 horas, atividade extra-classe desenvolvida por ele com o objetivo de estimular os atributos artísticos e culturais dos alunos. Devo a minha formação intelectual, teatral e literária ao padre Teófanes de Barros, que me incentivou para as artes cênicas no Teatro Anchieta, fundado por Êlio Lemos, para a literatura, convidando-me para escrever na revista ?Mocidade?, e para a filosofia, designando-me para auxiliar na coordenação das reuniões dos Encontros de Cultura promovidos pelo Instituto Jacques Maritan na década de 1970. Padre Teófanes de Barros foi o maior educador de Alagoas. Fundador do Colégio Guido e do Centro de Estudos Superiores de Maceió (Cesmac), seu legado repercute na memória de gerações de alunos que estudaram em suas instituições. (*) É poeta e escritor.