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Opinião

O casamento da raposa

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Tarde tranquila, ensolarada... e de repente chuva fina. Minha netinha de quatro anos gritou logo: ?Chuva e sol, casamento de raposa?. Lembrei imediatamente da minha avó Julia me falando isso, e sei que passei pra minha filha, que com certeza passou pra ela. Vivemos no mundo da informação rápida, variada; o mundo ao alcance do clic do mouse e dos botões do controle remoto. Na internet, televisão, rádio, jornal, revista, montanhas de notícias, depoimentos, receitas, mentiras, etc. (tome informação, tome sensacionalismo). Qual foi a informação importante do mês passado? E a da semana passada? Que filme você assistiu ontem à noite? Foi bom? Qual foi? Você muda o canal da TV, e vai ligeirinho pro outro enquanto passa o comercial, e depois cadê, que canal estava mesmo? Assistindo o quê? Nada disto fica. O que fica mesmo é amor de pi... Não! isso é outra coisa, mas isso você sabe, não é mesmo? Ouviu de um mais velho? Essa é a forma mais duradoura de guardarmos uma informação; boca-a-boca. O que seu pai lhe ensinou, você repetiu pra seu filho. A receita da sopa da mãe será passada para filhas e netas, mesmo na era da sopa pronta. O macarrão da velha cozinheira dava água na boca, mas a receita morreu com ela, e hoje, tome miojo! O que nos foi passado com amor e cuidado, fica, e passamos adiante, mesmo na dúvida, ou só por fantasia. Manga com leite faz mau; se varrerem seu pé, você não casa; sonhar com dente, morte na família; abacaxi menstruada nem pensar! Vassoura virada atrás da porta, a visita vai logo embora; contar estrelas dá verruga; criança que brinca com fogo faz xixi na cama; entrar com o pé direito pra dar sorte; gato preto cruzar seu caminho dá azar. Voce passa embaixo de escada? Por que não? Lembra daquelas orações rezadas em casa? Sei! mas não reza mais? Na hora do aperreio, aí sim. Menino do interior acreditava em mula sem cabeça, fogo corredor, alma penada. Tudo hoje é virtual e passageiro. Acabaram-se os contos de fadas; as histórias contadas ao pé da cama, as canções de ninar. Lembra (xô, xô pavão, de cima do telhado...). Lembra a carinha de uma criança ouvindo história pra dormir? Manda a nova pedagogia que não se iluda as crianças, e outras baboseiras mais, mas eu sei, que, enquanto essa cultura existir, a infância será mais colorida em suas crenças e lembranças; ainda bem! (*) É engenheiro civil e empresário.

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