Opinião
Vulnerabilidade total
Pelas contas dos Correios, até ontem a empresa tinha sofrido 20 assaltos neste ano. O mais recente, até fecharmos este comentário era o cometido contra a agência de Jequiá da Praia. Se não ocorrer mais nenhum em julho, a média estará em 2,8 assaltos por mês. O que fazer? No caso citado, de ontem, três homens, rostos expostos, fizeram a ação. Levaram o que quiseram da agência, dos funcionários e dos clientes. Segundo moradores de Jequiá da Praia, entre o local do assalto e a delegacia existe um posto policial no qual, segundo as mesmas fontes, estariam dois policiais. Difícil fazer alguma coisa nessas condições. A impressão é de que o quadro da segurança pública em Alagoas está sendo pintado, nos dias em curso, com cores mais sombrias do que as usadas na época do cangaço. Será que a média de assaltos, naqueles tempos, a uma mesma instituição (ou empresa), chegou a 2,8 por mês? Talvez nos anos 30 do século passado, as estatísticas não fossem tão exigidas. Pode ter sido mais, pode ter sido menos. Mas, indubitavelmente parece ser o mesmo cenário de desmando, de impotência policial, de vulnerabilidade social frente ao banditismo. Regressamos ao tempo do cangaço? Esperamos que essa impressão seja falsa. Uma miragem produzida por alguma explicável tese acerca da modernidade de nossa realidade contemporânea, justificando nosso tempo como radicalmente diferente (para melhor) do tempo onde apenas os cabras de Lampião infernizavam parte do interior do Estado. Enfim qual a relevância do fato dos Correios registrarem, até 27 de julho, seu 20º assalto em sua rede de agências? A relevância está no fato de que, em todas as áreas dispostas ao registro das ocorrências, o número é invariavelmente assustador. O que fazer? Perguntam os alagoanos às autoridades. Temos respostas?