Opinião
Justi�a
Quando criança, toda vez que o meu pai apresentava-me um juiz, promotor ou desembargador, eu os via de repente com uma ?auréola? sobre sua cabeça, porque em minha concepção tratava-se de um ser humano impar, incapaz de cometer atos pessoais ou profissionais que viessem macular sua condição de cidadão honesto, pacato, digno em todos os sentidos. Tinha que ser um cidadão de conduta irrepreensível no profissional e no privado e incapaz de usar sua autoridade em proveito próprio, fosse no que fosse. Infelizmente no decorrer dos anos venho tendo o desprazer de sentir que esse conceito vem caindo por terra. Graças a Deus não tornou-se regra geral e espero que nunca torne, porém já está caindo na vala comum cenas, fatos e atitudes deprimentes para um magistrado, o que me deixa triste e temeroso. Errar em um julgamento ou decisão judicial qualquer é admissível, afinal um magistrado é ser humano, logo sujeito a cometer erros, mas esse magistrado envolver-se ou cometer abusos como cidadão e, pior ainda usar a sua condição profissional para justificar ou defender-se, usar sua autoridade para impor um respeito a si que ele mesmo não está respeitando, é deveras deprimente e inadmissível. De uns tempos pra cá a imprensa vem noticiando casos e cenas que nos leva a descrer, não na Justiça propriamente dita, mas de alguns muitos que a fazem, e a população começa a generalizar, embora felizmente a maioria continua incólume. O noticiário vez por outra está mostrando desvio de verbas, recebimentos irregulares, vendas de sentenças, acobertamento a bandidos, atitudes que não são e nem devem ser características de Judiciário, isso sem contar fatos isolados de autoridades judiciais que usam de sua autoridade de magistrado para cometer desatinos, como embriagar-se e enfrentar os policiais que vão contê-los em seus abusos, até de arma em punho e bradando que é juiz, promotor, etc, outros que desacatam cidadãos comuns, outros usam sua autoridade para cometer corrupções eleitorais, e finalmente esse último episódio envolvendo um juiz que bateu, ou melhor, massacrou sua namorada de maneira feroz, vindo de encontro a uma lei que ele tem a obrigação de defender e aplicar, a Lei Maria da Penha. Como esse juiz irá amanhã julgar um caso semelhante? No mínimo, acho eu, que ele teria que julgar-se suspeito para tal. E o que mais me constrange é saber que esses senhores quando julgados pela própria justiça, terá como pena máxima a Aposentadoria Compulsória, ou seja, receber sem trabalhar, se com cortes ou não, pouco importa. Já que estou comentando a cerca do Poder Judiciário, gostaria de tocar no assunto do recebimento das correções salariais que foram pagas aos magistrados em geral. O que me constrange é ver milhares de funcionários do Legislativo e do Executivo numa briga insana para receber essa diferença salarial, ou precatório como chamam, sem sucesso. Alguns ?privilegiados? receberam, outros estão em busca de empresas privadas para negociar, com deságios absurdos, ou seja, doam parte do seu suor, para empresários, que vão depois receber do Estado integralmente. E porque o Estado não paga logo e diretamente ao servidor? Em minha santa ignorância, os motivos que deram ganho de causa ao Poder Judiciário, servem para os outros dois, pois todos são iguais. Isso é justiça! Se eu estiver errado, peço perdão, mas gostaria de entender. Se algum magistrado poder explicar-me agradeço, e ficarei grato. Senão, que o Poder Judiciário compre essa briga e faça justiça aos demais. É o mínimo! (*) É bacharel em História e empresário.