Opinião
O expressionismo e uma visita ao museu
Tanto o romantismo quanto o expressionismo refletem a cultura e a alma do povo alemão. O expressionismo, considerado a arte do instinto, foi um movimento artístico que floresceu no início do séc. 20 na Alemanha. Caracteriza-se pela expressão de intensas emoções e é marcado por angústia, dor, inquietações do artista diante da realidade e, muitas vezes necessidade de denunciar problemas sociais. Plasmou-se nos campos das artes plásticas, literatura, cinema, música, fotografia. Entretanto, sua primeira manifestação foi no terreno da pintura. Com cores violentas e sua temática de solidão e de miséria, o expressionismo reflete a amargura que invadia os círculos artísticos e intelectuais da Alemanha pré-bélica. Influenciados pela filosofia de Nietzche e pela teoria do inconsciente de Freud, os artistas alemães do início do século 20 fizeram a arte ultrapassar os limites da realidade, tornando-se expressão pura da subjetividade psicológica e emocional. Igualmente, as novas teorias científicas, a subjetividade do tempo de Bergson, a teoria da relatividade de Einstein, fizeram com que o artista se afastasse cada vez mais da realidade. Para Freud, a psicanálise liberta do passado, isto é, da tradição, da história. A perspectiva é a da subjetividade. A raiz dessa nova subjetividade é impessoal. A deformação das figuras dos expressionistas mostra claramente os impulsos libertários do movimento que submeteu o real às leis da imaginação, com pinturas de atmosfera apocalíptica e anarquista. Além dessa nova postura, os expressionistas tiveram uma atitude moral em que se lia a força do indivíduo sobre as pressões autoritárias da sociedade. Com o crescimento do nazismo na Alemanha, várias obras foram destruídas na Segunda Guerra Mundial. Era considerada ?arte degenerada?. Eduard Munch, com suas imagens angustiadas e desesperadas, como em O Grito (1896), paradigma da solidão e da comunicação, foi um dos pontos de arranque do expressionismo. Embora seu maior centro de difusão fosse na Alemanha, também foi expressado por grandes artistas europeus como: Van Gogh, Paul Gauguin, Amadeo Modigliani, Paul Klee, Kirchner, Paul Cézanne... No Brasil, maiores representantes são Cândido Portinari, Anita Malfati, Lasar Segal e o gravurista Osvaldo Goedi. No teatro, a obra de Nelson Rodrigues tem características expressionistas. Visitando as obras de Pierre Chalita, na Praça Manoel Duarte, percebi em suas telas gritos de angústia e solidão, as cores fortes nas tintas em agonia, como se expressassem a história que o pintor simplesmente não quis contar. Mas, como um grande artista, quis expor sua alma inquieta. Ao meu ver, características marcantes do expressionismo. Para mim, atravessar aquele espaço ocupado pelos quadros de Pierre, é uma viagem pela cultura. O universal está tão perto de nós! (*) É membro da Academia Alagoana de Letras.