Opinião
Continuando nossa visita a Hamburgo
Tomamos sossegadamente nossa cerveja enquanto apreciamos o crepúsculo dourar as águas tremeluzentes do lago. São oito horas! Já é tempo de voltarmos ao hotel para jantar. Combinamos com o guia fazermos um tour noturno. Vamos com ele conhecer algumas das inúmeras atrações noturnas da cidade. Primeiro, assistiremos a Dança das Águas, no Park Planten um Blomen, que fica no Centro. A noite está escura e fria. Enfrentar o ar livre não entusiasma muito. Apesar disto seguimos o guia pelas alamedas de árvores copadas, até o grande tanque em que se realizará o espetáculo. As cadeiras dispostas em torno do mesmo já estão todas tomadas e dessa maneira temos que ficar de pé, ou sentarmos-nos no parapeito de pedra que segura as águas. De repente os refletores se acendem e uma valsa de Strauss irrompe dos amplificadores de som, colocados nos cantos do parque. Do meio da piscina começam a surgir os primeiros esguichos que se projetam para o alto, tomando formas variadas e coloridas. De acordo com o volume e o ritmo da música, outros repuxos soltam suas águas, formando belos desenhos iluminados e multicores. Subitamente toda fonte funciona, produzindo apoteótico espetáculo. Não obstante o bater de queixos e da tremedeira que nos causam, com a baixa temperatura, os borrifos de água que o vento trás ate nós, saímos contentes de termos assistido esse ?show? puro e artístico. Voltamos correndo para o ônibus, fugindo desesperadamente do frio. As ruas de Hamburgo dormem silenciosas sob a noite sem estrelas. De repente entramos numa avenida clara e movimentada. Os carros se emparelham na larga faixa de asfalto e nas calçadas uma multidão se acotovela alegremente. As vozes humanas, os gritos dos alto-falantes e as buzinadas dos veículos se juntam fazendo um ruído ensurdecedor. Os cabarés se sucedem por todo bairro, com fachadas profundamente iluminadas e policrômicas. Nos muros, retratos de mulheres em trajes sumários, fazem propagandas de seus ?shows? libidinosos. Estamos no distrito de St. Paulim que com o de Reeperbahm, formam o mais famoso aglomerado de ?night clubs? do mundo. Misturamo-nos a essa gente alegre que enche as calçadas. Os marinheiros parecem ser os maiores frequentadores do bairro, pois de vez em quando topamos com um grupo deles. Em Hamburgo se encontra o maior porto marítimo da Alemanha, por onde se escoam os produtos de sua aperfeiçoada indústria. O grande estuário do Elba proporciona-lhe um plácido e resguardado ancoradouro. Por esse motivo, o afluxo de marujos é enorme. Há, também, muitos turistas. Entramos primeiro num cabaré em que as damas é que solicitam os cavalheiros para dançar, e o fazem compenetradas e felizes, sentindo-se realizadas em, pelos menos aqui, terem essa iniciativa que possibilita se divertirem sem depender da escolha de um parceiro. Tomamos uns drinques, rodopiamos ao som de blues, de rocks, de valsas, e abandonamos o clube noturno. Vamos agora a melhor cervejaria de Hamburgo e a mais divertida. (*) É membro da Academia Alagoana de Cultura.