Opinião
Parceria e vigil�ncia
Anteontem, a cidade de Murici viveu momentos de fúria popular, com grupos de moradores tentando fazer Justiça com as próprias mãos contra uma dupla acusada de assaltos e assassinatos na região. Linchamentos não são novidade no mundo, numa prática tida como ?justiceira? desde antes que as sumárias decisões das turbas americanas, especialmente rápidas no uso da forca, nos idos do século 19, fizeram da ?Lei de Linch? um dos mais sumários ritos de execução já praticados no mundo. O sobrenome Lynch globalizou, antes do século 20, um novo vocábulo e um velho conceito da lei de talião (?Olho por olho, dente por dente?), lavrado cerca de 1,8 mil anos antes de Cristo. São, portanto, milênios de anos de erros em nome da Justiça. Especialmente sob o nome de ?linchamento?, essa prática nociva serviu a incontáveis crimes racistas (especialmente contra negros, índios e chineses) nos Estados Unidos nos tempos do ?Velho Oeste?. Não há porque estimular essa tendência criminosa das turbas. Mas há porque incentivar um outro aspecto da participação da população nas operações de investigação e caça a criminosos. Os dois acusados, detidos em Murici e alvos da revolta do povo, foram presos com o apoio direto da população, que se engajou decisivamente nas buscas pelos acusados. As vítimas de ações da dupla não se intimidaram e ajudaram, com redobrado afinco, as ações policiais. Descartando-se as temerárias tendências de formação de milícias e da ?justiça pelas próprias mãos?, esse engajamento da população é, cada dia mais, uma atitude necessária e cidadã. Sem o apoio direto da população e sem a disposição das vítimas e das testemunhas, não há tecnologia que garanta o sucesso policial na guerra contra o crime. Colaborar com as investigações, sem querer substituir a polícia e a Justiça, é um dever cidadão digno, corajoso e indispensável.