Opinião
Servidores ou algozes?
Domingo passado, fui tomado por uma surpresa, quando abri esta página e li o artigo de Vinícius Maia Nobre. Tenho por costume, quando escrevo algo ?além das sandálias?, ouvir alguém experiente, como fiz com ele próprio, em artigo sobre a passagem de nível da Tomás Espíndola. Pois não é que havia escrito um que, prestes a mostrá-lo, após ler o dele, tive que desistir, por se tratar do mesmo assunto, escrito com muito mais propriedade. O título que demos foi muito discutido em casa: ?Não coce a orelha?. Achavam que poderia lembrar acontecimento recente, extremamente desagradável. O prof. foi mais fino quando tratou da capacidade que têm os nossos agentes de trânsito em nos multar quando percebem um simples passar a mão na orelha. Alertou-nos para não dirigirmos com dor de ouvido, pois os ?pardais azuis? podem pensar que se está ao celular. Mas, com a coincidência da SMTT, já na segunda-feira, anunciar modificações no trânsito, principalmente na Av. Fernandes Lima, resolvi bedelhar. A criação das chamadas baias de paradas de ônibus é, em parte, solução, mas em determinados trechos acho que deveriam ser tomadas outras medidas. Subindo a avenida, mesmo em dias de pouco movimento, próximo ao Hospital do Açúcar, vem o inferno. Tudo porque as saídas deste nosocômio e do Hospital Arthur Ramos, afora outros estabelecimentos, levam à Fernandes Lima, forçosamente, para atingir o retorno de quadra da Gruta. Coisa que poderia ser feita pela rua paralela que homenageia o saudoso médico Sebastião da Hora. Acontece que se torna impossível, pois, sendo estreita, mão dupla, ainda por cima permite-se estacionar dos dois lados. Resultado: outro tormento. E, não adianta procurar outra ligação com a parte principal da Gruta. A não ser que se vá até a baixada, próxima ao Murilópolis. Como se não bastasse, estacionam-se caminhões cegonha na porta de concessionárias para carga e descarga em pleno horário comercial. Tirante a parte estrutural, vem o lado humano. Necessita-se instruir os agentes para fazer fluir melhor o tráfego, ao invés de ficarem parados nos canteiros centrais, à sombra das árvores, com talões de multa, à espreita de celulíferos. Pedir também que diminuam a empáfia. Das poucas vezes que precisei interceder junto a eles, olharam-me como se fosse bandido. Não me deram a mínima satisfação, como se ao invés de servidores públicos, fossem nossos algozes. Parafraseando meu amigo Vinícius: Algozes pardais azuis. (*) É bacharel em Economia ([email protected]).