Opinião
O centen�rio do mestre Aur�lio
Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, mestre Aurélio, assim o chamava e assim o chamarei sempre, a não ser quando estou trabalhando e peço a alguém de casa que me traga um Dicionário da Língua Portuguesa, pois aí solicito: traga o ?Aurélio?; ninguém tem dúvida do que se trata. Ele virou nome de dicionário na maioria dos lares brasileiros. Numa entrevista radiofônica me perguntaram como conheci Aurélio Buarque de Holanda. Recordei tempos idos. Na década de 60, meu irmão, Rui Medeiros, jornalista e escritor, trabalhava no Correio da Manhã, no Rio de Janeiro. Nessa época, eu estava realizando especialização lá e costumava ir, à noite, ao jornal, para esperar o mano que trabalhava até as 22 horas. Voltávamos juntos para Copacabana onde morávamos. Na sala da redação do jornal, tive a felicidade de conhecer nomes destacados da literatura brasileira: Aurélio Buarque de Holanda, José Lins do Rego, Otto Maria Carpeaux, Rachel de Queiroz e Álvaro Lins. Destes, o mais cordial era o mestre Aurélio. Alegre, brincalhão, irradiava simpatia; os redatores paravam para ouvi-lo. Para ele passei a ser o ?alagoano dois?, pois meu irmão Rui já era o ?alagoano um?. Esse conhecimento foi retomado, 14 anos depois, durante o período em que assumi a Pró-Reitoria Comunitária da Ufal. Um intenso programa cultural foi desenvolvido com o apoio do então reitor Manoel Ramalho e do pró-reitor Audálio Cândido dos Santos e de um grupo entusiasta de intelectuais e professores. Mestre Aurélio participou de várias dessas jornadas culturais. Com ele viajei a cidade de Laranjeiras/SE, a fim de participar de um encontro de folclore. Ao longo do caminho, deliciei-me com a exuberância de sua cultura. Ora recitava poemas, ora trechos de escritores brasileiros e portugueses. Sabia Os Lusíadas de cor. Contou vivências e fatos de sua juventude em Alagoas e da convivência com Jorge de Lima, Graciliano Ramos, Valdemar Cavalcante, Rachel de Queiróz e Raul Lima. Entidades culturais e governamentais têm dado ênfase e realce aos centenários de alagoanos ilustres, possibilitando um maior conhecimento de suas vidas e obras. Assim, aconteceu com Arthur Ramos, Nise da Silveira, Graciliano Ramos, entre outros. No caso de Aurélio Buarque de Holanda, vale destacar não somente o dicionarista, mas o poeta, ensaísta, crítico literário, cronista, tradutor de obras estrangeiras, entre tantas facetas de sua extraordinária intelectualidade. Bem merece as homenagens que lhe serão prestadas. Mestre Aurélio engrandeceu a cultura brasileira. (*) É médico e ex-secretário de Saúde e de Educação.