Opinião
Princesa das matas
O dia 13 de outubro sempre é comemorado com alegria e patriotismo, o aniversário da fundação de Viçosa, carinhosa e adequadamente alcunhada de ?Princesa das Matas?, sem causar qualquer ciúme aos dignos e operosos habitantes da progressista cidade de Capela, igualmente banhada pelo lendário Rio Paraíba, porque ostenta o título de Rainha , decerto até mais pomposo. Como recordar é reviver, aproveito este generoso espaço para alguns registros de momentos interessantes, insuperáveis e inesquecíveis, passando pela vibrante e carinhosa convivência com os adolescentes da época, estudando no então Grupo Escolar 13 de Outubro, por sinal em homenagem à data histórica, até a Escola Normal Rural Joaquim Diégues, estabelecimento que abrigou personalidades marcantes da sociedade viçosense, tanto nas letras, como na Medicina, no Magistério, na religião, a exemplo dos professores José Pimentel; Ivan Vilela; padre Jatobá; (meu padrinho de crisma) ; cônego Machado; Yole Padilha e muitos outros que a memória , no momento, não conseguiu captar. Porém, sintam-se aqui registrados, com a gratidão do ex-aluno brincalhão, traquino, porém sempre logrando aproveitamento destacado, sabendo-se filho de pais de classe média baixa, numa prole de mais 11 irmãos, daí a importância de visualizar o futuro. O articulista (também massagista do Estudantil), fazia parte dos denominados Cativos das Nove Horas, que paqueravam as garotas habituais da praça da Matriz, mas sempre à escuta do badalar do relógio, anunciando o horário estipulado pelos pais, para recolhimento ao lar, porque os deveres de estudante os aguardava, sob pena de sofrerem castigos e até uma boa sova, se questionassem. A missa das 7 na Igreja Matriz era uma obrigação que não deveria ser recusada e a reunião, após, no Bar do Wilson, com disputas na sinuca, às vezes não dispondo de dinheiro para o pagamento, sempre ocorria em meio a bate-papos agradáveis, piadas e recíproco respeito. Não se falava de drogas, de brigas e não havia bebedeira desregrada. Isnaldo Malta, Carlos do Firmo, Arany Brandão,José Ferro, Antonio Brandão, Presideu e Dimas Brandão (três últimos falecidos), este genitor do Pery, ex-prefeito), entre outros alegres e descontraídos colegas, formavam um grupo assíduo, que sempre traz renovadas saudades. Os tempos sofreram mutações profundas: a chamada revolução educacional que certos teóricos idealizaram, introduziu métodos ditos avançados e que, na prática, mostram-se insuficientes, inadequados, distanciando-se da realidade brasileira, especialmente do Nordeste, expondo-se cópias de Projetos importados, se bem não se deslembre de que temos boas cabeças pensantes, mas desconsideradas, desprezadas e, nesse contexto, mestres pessimamente remunerados. Políticos que honraram seus mandatos: Evilásio Tôrres (avô do prefeito Flaubert Filho); José Maria de Melo; Teothônio Vilela ? o menestrel; Aloísio Vasconcelos. Intelectuais da estatura de Théo Brandão; José Maria de Melo; Ismael Brandão; José Pimentel; Aloísio Vilela, produtos de uma época e componentes de uma plêiade de personalidades desse estilo, souberam dar estrutura e denominação ao que chamamos com orgulho ?Atenas Aalagoana?. Vejo, ainda, ocasião para registrar a nota inserida neste Jornal pelo preclaro Escritor e Professor Luiz Sávio de Almeida, edição de 10/10/08, fazendo alusão ao recente livro do conterrâneo e escritor laureado Denis Portela de Melo, Do Fundo da Gaveta, que engrandece qualquer biblioteca, a exemplo do outro: Passagem de Volta, mostrando que o filho herdou do pai o talento incontestável. (*) É membro da Academia de Magistrados e A.A.Imprensa ([email protected]).