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A tecnologia a servi�o do deficiente visual

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O pensamento contemporâneo, a mídia e as ações governamentais do mundo inteiro tentam compor um enlace nas relações sociais com as pessoas portadoras de necessidades especiais. No entanto, a instituição destas relações de inclusão social, como rotina no meio corporativo e na educação, exige muito mais que ações assistencialistas. Exige preparo capacitação e compromisso daqueles que educam ou capacitam para o mercado de trabalho. Não basta solidariedade nem a coerção da lei para garantir um emprego e renda. É preciso permitir que o deficiente exerça sua cidadania como qualquer pessoa, realizando os seus projetos de vida e crescimento pessoal. É o caso dos deficientes visuais, que muitas vezes encerram o rol de suas possibilidades, ao desconhecerem o universo que a tecnologia lhes reserva num momento em que o mundo parece acabar. Usar um computador, entrar na internet, escrever, ler jornais e livros digitais e enfim continuar desbravando a estrada do conhecimento não é mais um sonho. Pessoalmente, eu vinha tentando conseguir um bom sintetizador de voz, até conhecer o software ?Virtual Vision?, que foi desenvolvido pela Micropower ? Comércio e Desenvolvimento de Software Ltda. O problema é que ao entrar no site da empresa: http://www.virtualvision.com.br/, descobri que o programa custa mil e oitocentos reais, mas que poderia ser adquirido gratuitamente através de duas grandes instituições bancárias do País. Ambas teriam patrocinado a pesquisa e produção. Um desses bancos exige um curso do deficiente, através de sua fundação, como pré-requisito para a doação. O site permite um download do programa que se encerra em 30 dias. Antes disso aprendi a usar. Não tinha porque fazer o curso. Mas também não conseguiria o programa. Depois de mais seis meses de espera e tentativa, busquei o outro banco e recebi a licença para uso individual em menos de 20 dias. É preciso explicar que, mesmo com todo o critério necessário, para distribuição do produto ele só serve ao deficiente visual. A uma pessoa com visão o programa é chato, porque fala tudo o que aparece no monitor o tempo todo. Exatamente o que o cego precisa. Só que a falta de divulgação impede o acesso de quem realmente vai usar. Portanto só resta agradecer imensamente a atenção do gerente geral de Serviços Johnny Barbosa, do Banco Real. (*) É escritor.

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