Opinião
Disfarce f�cil e fatal
Aprender com as tragédias é, mais que uma faculdade humana, uma necessidade básica para a sobrevivência. Um múltiplo assassinato, perpetrado na localidade de Pontal do Peba, na noite de segunda-feira, deve servir de alerta para a sociedade e, particularmente, para as autoridades policiais. Segundo os relatos coletados, e divulgados, pela imprensa, três pessoas foram trucidadas durante uma tentativa (frustrada) de assalto. Uma das vítimas fatais era policial no Estado de Sergipe. Deste lamentável ocorrido, duas questões não podem passar desapercebidas: o uso da ?identificação? de bandidos como policiais e a suposta omissão de socorro por parte de policiais militares (estes de plantão num posto da PM). A acusação de omissão feita aos PMs que estavam de plantão merece apuração tão rápida quanto criteriosa, pois prejudica a imagem de toda corporação e faz aumentar o sentimento de insegurança pública. Mas uma questão recorrente merece mais atenção ainda: a autoidentificação feita por bandidos como sendo policiais. O que acontece para que, com fatal facilidade, criminosos sejam confundidos com policiais? O mais grave é que essa confusão de identidade tem custado a vida de policiais de verdade. Por confiarem nas aparências, foram assassinados Anderson Silva (agente especial da Polícia Civil de Alagoas) e o Sérgio Sousa (policial civil sergipano). Isto não é algo simples, pois se essas falsas identificações (pela farda, ou pela voz) convence a agentes da segurança pública, o que não dizer da vulnerabilidade do cidadão comum? Os procedimentos, as fardas, as carteiras, ou seja, quaisquer que sejam as formas de identificação policial têm de ser repensadas. Modificações precisam ser feitas para que essa facilidade de enganação deixe de produzir vítimas. No mínimo, a polícia tem que reconhecer a si própria com mais segurança.