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Opinião

Militares prestam contin�ncia

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?A paz queremos com fervor, a guerra só nos causa dor. Porém, se a Pátria amada for um dia ultrajada, lutaremos sem temor?. Este estribilho, da canção do Exército Brasileiro, sintetiza o sentimento de cumprimento de missão que forjamos no nosso soldado, ressalta que é pela paz que lutamos, e que a Pátria é a razão da nossa existência. Mas os tempos mudaram, o mundo ficou globalizado e os Exércitos passaram a lutar cada vez mais pela paz de outras nações, principalmente nos países subdesenvolvidos. A missão agora é cumprida em outras terras, longe dos amigos e da família. Missão como a do Haiti, onde chilenos, argentinos, jordanianos, indianos e muitas outras nacionalidades, sob o comando da tropa brasileira trabalham para ajudar a pacificar aquele país caribenho e para contribuir na sua reconstrução. Missão que só poderia ser cumprida por militares, homens e mulheres de fé e coragem, capacitados para enfrentar dificuldades de toda sorte, até uma catástrofe como a que ocorreu recentemente e que ceifou a vida de milhares de pessoas, entre elas civis e soldados brasileiros. Missão que caberia aos diplomatas e embaixadores, a pessoas especializadas em negociações internacionais, mas que pelas circunstancias em que esses países se encontram após o conflito interno, somente os militares possuem as credenciais para desenvolvê-la. Sabemos dos riscos da nossa profissão, sabemos da dedicação e da disciplina que elas nos impõem, mas que por idealismo, vocação e amor à Pátria, acatamos de peito aberto e espontaneamente. A paz queremos com fervor, por isso lutamos até em terras estrangeiras. É por isso nos causa dor, mais não desesperança a morte dos nossos companheiros de farda. Camaradas que honram sua bandeira e orgulham nosso País, camaradas de valores que estão acima dos interesses pessoais, e por isso são merecedores de nossa admiração e homenagens. Mas não só militares do Exército derramaram seu sangue para resgatar um país em crise e que sofre com essa catástrofe, com certeza heróis e heroínas anônimos também perderam suas vidas tentando ajudar ao próximo. Devemos, portanto, como brasileiros enaltecer aos militares e civis que no cumprimento de uma missão de paz perderam suas vidas. Que o sangue brasileiro deixado em solo haitiano, sirva de exemplo para todos nós, pela forma despojada, corajosa e com alto grau de desprendimento, que representantes deste povo alegre voluntariamente participavam de ações em prol da paz, do resgate da cidadania e da democracia do povo haitiano. São com certeza as verdadeiras personalidades que orgulham o nosso País. Oramos para que seus nomes não sejam jamais esquecidos. (*) É comandante do 59º BIMtz.

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