Opinião
Teologia e f�
Conhecido teólogo brasileiro, de fama mundial, teve um conflito com a Congregação da Doutrina da Fé, de que era prefeito o então cardeal Joseph Ratzinger. Após colóquio amistoso com o cardeal Prefeito, do qual nada se soube oficialmente, ele escreveu belíssimas palavras, que como bispo de Parnaíba (no Piauí) pude ler em cópia datilografada, à qual tive acesso. Não tenho as palavras exatas, mas o teor da declaração, digna de um grande teólogo, era mais ou menos este: ?Entre minha teologia, esforço científico de meu pensar e a minha fé, dom do Espírito, prefiro ficar com a minha fé?. Infelizmente, fatos posteriores não confirmaram este belo pronunciamento de um grande teólogo naquela circunstância crucial de sua vida de estudioso e fiel cristão. Deixou a vida religiosa, o sacerdócio e talvez até abandonou a igreja. Eis que agora, em 1º de dezembro último, o mesmo papa Ratzinger teve interessante encontro com os membros da Comissão Teológica Internacional, no qual pronunciou a homilia da Santa Missa, que o jornal vaticano chamou de ?improvisada?. Na verdade, o papa falou sem texto escrito (coisa rara em discurso papal), como um velho professor de teologia confabulando com seus colegas de magistério. Bento 16 tomou o texto evangélico da liturgia do dia, em que Jesus louva o Pai porque escondeu o grande mistério do Filho, o mistério trinitário e cristológico, aos sábios e doutos ? que não o conheceram ? e revelou aos pequenos, aos que não são doutos. E acrescentou que aquele era um convite a um exame de consciência: ?O que somos nós, teólogos? Como fazer bem teologia??. Celebramos há pouco na liturgia da igreja, a festa da Epifania do Senhor. Nela é proclamado o texto de Mateus, 2, vers. 4, em que lemos a investigação que os Magos fazem do lugar onde teria nascido Jesus. Comenta o santo padre em sua homilia tão espontânea: ?Quando os magos do Oriente perguntam aos competentes, aos exegetas, o lugar do nascimento do Salvador, do Rei de Israel, os escribas sabem-no muito bem porque são grandes especialistas; podem dizer imediatamente onde nasce o Messias: em Belém! Mas não se sentem convidados a ir: para eles é um conhecimento acadêmico, que não diz respeito à sua vida; eles permanecem fora. Podem dar informações, mas a informação não se torna formação da própria vida?. E mais: a estrela da fé que guiou os magos desde o Oriente, desapareceu quando eles estavam em Jerusalém, quando consultavam os poderosos ? Herodes, cruel e medroso ? e os sábios, os doutores da lei. A estrela não levou os sábios e doutores até Jesus e Maria como fez com os Magos, que vieram despojados e confiantes. E eles foram aconselhados a voltarem ?por outro caminho?. (*) É arcebispo emérito de Maceió.