Opinião
A �ltima formatura
Última filha de um casal de meia-idade, ela há muito pouco tempo era apenas uma menininha que além das brincadeiras próprias da infância, foi estudar balé clássico, onde enternecia os pais nas tradicionais apresentações de fim de ano; depois ainda quis aprender a tocar violão, o que resultou que ainda no colégio fizesse várias apresentações solo nas festas anuais do colégio,o que novamente embevecia os pais,já realizados com os dois filhos mais velhos. Quando resolveu fazer o vestibular de Medicina, o pai, médico exercendo a profissão há mais de 25 anos, ficou entre um misto de satisfação e de receio: amava a profissão e sentia orgulho que a filha optasse pela senda de Esculápio, mas macaco velho e curtido imaginava que com o potencial e a facilidade que a menina tinha para aprender as coisas, poderia fazer outro vestibular, tipo Direito, fazer um concurso público e depois ter uma vida mais sossegada, trabalhando com mais vagar e com menos pressão. Mas ficou na dele, da mesma forma como agira com os dois outros filhos mais velhos, não interferiu na escolha da filha. O resultado foi que no mesmo ano a menina foi aprovada no vestibular da Uncisal em primeiro lugar ( fato que há mais de 10 anos não ocorria com um alagoano) e em segundo lugar na Ufal. Os pais vibraram com a conquista e se comoveram quando o cursinho publicou nos jornais e afixou em outdoors pela cidade a sua foto, rindo feliz. O pai ainda fotografou um dos outdoors para guardar como lembrança. Esta semana a menina colou grau em Medicina pela Ufal. À medida que as solenidades iam acontecendo: o culto evangélico, a seção espírita, a colação de grau, o baile, o pai ia constatando como o tempo passa rápido: um dos professores homenageados, Manoel Calheiros, bastante grisalho, tinha sido seu colega de colégio primário. Emocionou-se com o entusiasmo dos formandos diante do grande desafio que os aguarda e com as mensagens proferidas pelo paraninfo e patrono: a necessidade de dar um retorno para os que sofrem principalmente os desamparados, que com seus impostos pagam-lhes esta oportunidade; as virtudes da profissão e também as dificuldades e as adversidades. Milena está apenas começando a lida com o que existe de mais importante que é a vida. Desejo a minha filha e a todos os seus colegas que obtenham sucesso na profissão e que ele venha do exercício eficiente, solidário, humano e criterioso da Medicina e, que para que se realizem como profissionais e pessoas, o bem estar de seus pacientes lhes seja tão importante quanto os seus. (*) É médico e professor da Uncisal.