Opinião
O jogo das elei��es em Alagoas
Mesmo diante das incursões pelo interior dos principais líderes de Alagoas, a sucessão eleitoral de 2010 vai ganhando substância e agregando novos fatos à medida que se consagrar o calendário imposto pela legislação. Afinal, as grandes decisões costumam sair em cima do laço. Esta primeira conclusão é baseada no histórico local das eleições, ressalvando algumas peculiaridades que marcam o complexo interesse em torno da disputa pelo poder político. No campo das nuances das forças partidárias, vislumbra-se um embate polarizado pela Presidência da República entre o provável candidato oposicionista, o governador José Serra (PSDB), e a ministra Dilma Rousseff (PT), candidata do presidente Lula, caso se confirmem as pesquisas. Há ainda a robusta influência da popularidade do presidente, que deverá interferir na construção do palanque e na unidade das forças alagoanas que hoje gravitam em torno do Palácio do Planalto. Sendo assim, teremos o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), que vai pleiteiar a reeleição e defender a candidatura presidencial tucana. No outro lado, o denominado ?chapão?, que tenta afiar o discurso de oposição a Vilela e equalizar o microfone para Dilma. Ela deverá desembarcar por estas bandas com o cobiçado PIB eleitoral de Lula e do PAC, pois todas as grandes obras existentes em Alagoas possuem selo federal. Dois de abril é o limite legal para desincompatibilização daqueles que exercem cargos executivos. Eis, portanto, o prazo para o prefeito Cícero Almeida renunciar (PP), ou não, ao mandato e poder sair candidato a governador. Sua Excelência tem dito que vem ?dialogando? muito com Deus sobre essa possibilidade. Talvez por isso a data máxima tenha caído na Sexta-feira da Paixão. Nesse bloco de oposição a Vilela, há o peso dos senadores Fernando Collor (PTB) e Renan Calheiros (PMDB), do ex-governador Ronaldo Lessa (PDT), do PP do deputado federal Benedito de Lira e do PT. Até lá tem um carnaval no meio, quando as negociações apimentam a via-crúcis de formação das chapas de deputados, com seus angustiantes cálculos para obtenção do quociente eleitoral. Outro aspecto que irá esquentar o debate são as áreas da segurança, da educação e da saúde, além da tradicional influência que o funcionalismo impõe na agenda das candidaturas majoritárias. Se a fase de ?pré-campanha? anda recheada de indefinições, então o eleitor terá uma data definitiva: 30 de junho, que é o fim das convenções partidárias nas quais são carimbados os nomes dos pretendentes. (*) É jornalista.