Opinião
Ex�rcitos pela paz
Catástrofe de proporções históricas, o terremoto no Haiti está provocando a maior mobilização prática em torno da paz. Nem mesmo a badalada reunião realizada em Copenhague, autoanunciada como ?salvadora do mundo?, conseguiu algo que pudesse ser considerado expressivo neste campo. A desgraça que se abateu sobre o Haiti está conseguindo reunir até contingentes expressivos de forças armadas, em mobilização extraordinária, com o fito de salvar vidas ? uma prova que nem tudo está perdido no mundo. A solidariedade, pura e simples, de atos e não de palavras, está tomando forma sobre uma nação destroçada por um acidente natural (mas que já padecia de sucessivos incidentes desastrosos de fundo desumano e político). Do ponto de vista estratégico, o socorro militar ao Haiti possibilitará uma visão mais humanitária acerca do desempenho das forças armadas. Os batalhões de médicos, engenheiros, comunicações e outras ?armas? não-bélicas terão uma valorização superior a suas missões tradicionais (como suporte para ações usuais belicistas). Além dos contingentes de Medicina e Enfermagem do Exército Brasileiro já estacionados em solo haitiano, os Estados Unidos despacharam para Porto Príncipe seu Grupo 544 de Engenheiros Mergulhadores do Exército, para ações imediatas de prospecção em toda área vital do principal porto da capital haitiana, com o objetivo de recuperar, o mais rapidamente possível, as condições de fundeamento e atracamento naquela área ? o que é fundamental para o sucesso no transporte de volumes maiores de mantimentos, remédios, equipamentos e materiais para a reconstrução emergencial nos locais afetados pelo cataclisma. Como nunca nesta amplitude, as forças armadas dos mais diferentes países do mundo terão a grande chance de travar, e vencer, batalhas significativas contra a morte, lutando juntas pela paz.