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Opinião

Conhecendo a vida noturna de Hamburgo

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A decoração da cervejaria que vamos visitar imita um chalé suíço. Há um tão grande número de pessoas aqui dentro, que se torna difícil alcançar as mesas a nós reservadas. O ar cinzento de fumaça, o gralhar dessa gente excitada pela bebida, os sons estridentes da orquestra, nos deixam um tanto aturdidos. Mal sentamos e os garçons nos trazem enormes canecos de cerveja. A banda silencia. Um homem sobe ao palco para anunciar o começo do ?show?. Os espectadores se calam. Ergue-se o ?Pano de boca?. No proscênio surge um grupo de rapazes e raparigas, vestindo costumes nativos, que executam uma série de interessantes bailados de diferentes regiões da Alemanha. Terminada a representação, as danças prosseguem na pista superlotada. À meia-noite a orquestra entoa uma animada canção bávara e todos sobem nas mesas com seus canecos de cerveja na mão. Dão-se os braços, e cantam enquanto balançam o corpo, a um só tempo, para os lados, acompanhando os compassos da música. Deixamos a cervejaria excitante e vamos conhecer a rua Colibri, famosa por suas vitrines de mulheres. É uma viela curta, por onde não trafegam automóveis, e meio ocultas por um biombo de madeira. De um lado e de outro existe uma sequência de montras iluminadas por discreta luz vermelha. Dentro delas, mulheres, semidespidas, expõem-se em lúbricas atitudes, à espera de clientes. Algumas são ?travestis? que, também, competem com o sexo feminino nesse aviltante mercado. Caminhamos, apressadamente, por esse lugar peculiar, olhando furtivamente essas infelizes criaturas, que se enraivecem quando se sentem alvo da curiosidade dos transeuntes. Hoje vamos dar um giro pela cidade. O guia sorridente desponta na entrada do restaurante, chamando-nos. Visitamos primeiramente o bairro residencial de Uhlenhorst que se espalha às margens do lago. As mansões são soberbas, mas o que mais encanta são os seus jardins repletos de flores, entre gramados exuberantes. Vamos em seguida à Igreja de St. Patri, o primeiro templo público de Hamburgo. Erigida no século 12, foi restaurada em 1842. Conhecemos, também, outro antigo santuário, edificado este, no século 14. É a igreja de St. Jacobi que foi bastante danificada durante a guerra. Sua torre e seu famoso órgão foram reconstruídos. Bem perto deste velho templo de muros patinados, encontra-se uma das poucas ruas medievais que restam em Hamburgo. Foi tombada pelo patrimônio histórico, para proteger esse testemunho da arquitetura de uma época tão remota, da febre de modernização que sacode a Alemanha. Suas casas são baixas, pintadas de branco, com as vigas e os caibros aparentes, envernizados de escuro, e os tetos inclinados e cobertos de telhas de madeira. Agrupam-se uma junto à outra. São encantadoras com esse ar de rusticidade e tradição. (*) É membro da Academia Alagoana de Cultura.

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