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Opinião

Analfabetiza��o superior

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Percebe-se no aluno do ensino superior hoje em dia, uma dependência para demonstrar autonomia e iniciativa participantes no processo produtivo acadêmico. Ele apresenta dificuldades para expressar um pensamento crítico independente de um conceito pré-estabelecido pelo professor ou pelo livro. O que falar quando se percebe que os alunos mal sabem se expressar? E não se sentem seguros nem entusiasmados para a produção de trabalhos escolares autônomos como a construção de uma redação? Trata-se de acomodação ou de inaptidão? Apesar de subjetiva, a redação é uma excelente ferramenta que estimula e favorece o desenvolvimento do pensar, tanto como ser individual quanto coletivo e participante. É percebido tal fato quando nos deparamos com a qualidade dos ?textos? produzidos. A deficiência da escrita associada à ausência da leitura já é um tema tão discutido nos diversos estudos da área pedagógica, que parece não ter solução. Pode-se até classificar este cenário como analfabetização superior. Mas a analfabetização que aqui se refere, engloba desde os propósitos, aos fins do processo educacional. Pensando como professor, sem utopia, mas como intermediador direto e incentivador que este deve ser: finalmente, até quando a definição de ?formação superior? será vista como qualificatória/preparatória para a profissão e não para a formação do cidadão? A ?qualificação? que na verdade mais parece quantificação capitalista do saber, forma pessoas habilitadas a ganhar dinheiro e a fazer se ganhar dinheiro com a vulgarização do ensino superior recentemente. É de espantar quando vemos o que anda acontecendo com as universidades e a formação educacional, observando, por exemplo, o interesse dos alunos por assuntos aleatórios e a dispersão do que deveriam ser seus reais objetivos por/para ali estarem. Ou seja, o motivo original para se querer participar de uma universidade, almejando se tornar um futuro profissional de qualidade, não apenas ?qualificado?. Enfim, para que exista uma formação de qualidade é preciso que inicialmente os alunos amadureçam para o mundo que se encontra e com isso poderem discernir seus propósitos. Para isso, refletimos: qual a expectativa que a sociedade pode ter de um profissional de qualidade vendo tanta aberração no comportamento dos alunos atuais? (*) É professora universitária e orientadora de trabalhos de pesquisa.

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