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A cruz do Haiti

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A nuvem de poeira que tomou o Haiti na tarde do dia 12 de janeiro escondia e ainda esconde muito mais do que corpos desaparecidos podem revelar. Sacudido pelo violento terremoto casas, barracos, prédios, igrejas virarem um monte de entulho. Em meio ao pó da destruição, dos gritos de desespero e desolação de milhões, o país mais miserável das Américas, comoveu o mundo todo. Enquanto a poeira não baixa, o conforto em todos os sentidos é eminente. O país que já tinha uma precária infraestrutura e recebia ajuda humanitária, contabilizou muitos destes entre as vítimas fatais. Dos brasileiros, dezenas eram militares que trabalhavam em prol da paz, o vice-representante da ONU no Haiti e a dra. Zilda Arns ? pediatra e fundadora da Pastoral da Criança. A morte não escolheu patente, nem melhores ou piores, só enfatizou que ?estamos a perigo dela o tempo todo?. Segundo testemunhas, após os tremores e muita poeira branca, o que mais se ouvia eram pessoas gritando e pedindo ajuda a Jesus. Alguém poderia se perguntar: Será que Deus, Jesus abandonou estas pessoas, ou estaria castigando-as mais ainda? Coincidência para alguns, sinais para outros ? Jesus sempre responde: na Igreja de Sacré-Coeur, onde a dra. Zilda pronunciara suas últimas palavras cristãs e humanitárias, algo mexeu comigo. Lembrei-me das palavras bíblicas registradas pelo profeta Isaías 49.15: ?O Senhor Deus responde: ?Será que uma mãe pode esquecer o seu bebê? Será que pode deixar de amar o seu próprio filho? Mesmo que isso acontecesse, eu nunca esqueceria vocês??. Imagens mostradas no Fantástico do último domingo, em meio às ruínas, uma única coisa permaneceu completamente intacta, o crucifixo. Nem mesmo o Palácio presidencial ? de onde a força política local reinava ? sucumbiu e foi parcialmente destruído. Depois da poeira, do clamor, Cristo continuava ali, de braços abertos, lembrando que ninguém é melhor ou pior do que os outros (Lucas 13.4) e todos estamos no mesmo barco, precisamos olhar para cruz e crer na sua mensagem que continua sendo a maneira mais solidária de Deus prestar seu auxílio, pois ela ultrapassa e vence a morte. Deus nunca prometeu um ?mar de rosas? nesta dura vida aqui no mundo, onde peregrinamos; não nos iludamos achando que filho de Deus não sofre! Jesus, falou certa vez aos seus discípulos: ?No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo?. João 16.33. Vivamos neste amor e certeza! (*) É teólogo e pastor da Igreja Luterana em Maceió.

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