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O pós-eleições

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Embora já tenha ocorrido o segundo e último turno das eleições presidenciais, o brasileiro parece que ainda não considera encerrado o ciclo eleitoral, tendo em vista que o certame, como se sabe, não foi nada pacífico, gerando uma repercussão que perdurará até Deus sabe quando.

Desde que me entendo por gente (como prosaicamente se fala), já passei por muitos processos eleitorais, mas confesso que nenhum deles se compara ao que vivenciamos em 2026.

Discordâncias sempre fizeram e farão parte de toda escolha, mas o que se viu neste ano ultrapassa os limites da lógica. Eleitores de ambos os lados passaram a tratar colegas, amigos e até familiares de forma extremamente indigesta, como arqui-inimigos, contra os quais foi declarada guerra.

Esquecem que a vitória de um candidato pode até significar a derrota de outro, mas, depois de tudo, “vamos precisar de todo mundo” (para lembrar aqui a linda canção “Sol de primavera”).

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Ademais, independentemente da eleição de agora, o mandato é periódico, o que propicia a realização de novas eleições, garantindo o princípio da democracia, elemento que conforta os corações desejosos de mudança.

Em parte, os ânimos se acirraram com uma magnitude nunca antes experimentada em toda a história política brasileira, graças ao sacolejo dado na população nos últimos anos, já que, corriqueiramente, ela se conformava com quem quer que estivesse no poder. Agora, não.

Prova desse descontentamento, que passou a contagiar o brasileiro, pôde ser vista na renovação de grande parte dos representantes dos estados no Congresso Nacional, conferida pelas urnas, a partir da expressiva eleição de senadores dos partidos da direita.

Embora a Casa representativa do povo (Câmara dos Deputados) também tenha mantido um número considerável de deputados direta ou indiretamente alinhados à direita, nessas eleições de 2026, chamou mais atenção o número de eleitos para a Casa legislativa dita alta, que terá expressiva representação a partir da próxima legislatura.

Essa alteração na composição chamou tanto a atenção que o Legislativo federal, especificamente a Câmara dos Deputados, por iniciativa do presidente da Casa, já começou a discutir a proposta de alteração da representatividade, ressuscitando a discussão do voto distrital misto, em detrimento do atual modelo vigente, a partir de uma nova Proposta de Emenda à Constituição (PEC).

Esse incômodo passou a ocupar, ironicamente, o “centrão” das discussões legislativas pós-eleições, como se não houvesse mais nada de urgente para o país tratar por lá.

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