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Dilma e Serra no mungunz�

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O ano eleitoral já está correndo e os dois principais candidatos a suceder Lula precisam mostrar as suas semelhanças e diferenças para que o eleitorado possa se decidir. Dilma é filha do advogado e empreendedor búlgaro naturalizado brasileiro Pedro Rousseff e da dona-de-casa Dilma Jane Silva. Seu pai se filiou ao partido comunista búlgaro nos anos 1920. Veio para o Brasil nos fins dos anos 30, mas se mudou para Buenos Aires e anos depois voltou para o Brasil se fixando em São Paulo, onde prosperou. Em uma viagem à Uberaba conheceu Dilma Jane, onde seus pais eram pecuaristas. Casaram-se e fixaram residência em Belo Horizonte, onde tiveram três filhos: Igor, Zana e Dilma. Pedro Rosseff tornou-se um próspero empreiteiro da Manesmann, além de construtor de imóveis, tendo acumulado considerável patrimônio. A família vivia em casa espaçosa, servida por três empregadas, mantendo hábitos europeus, tanto que os filhos tiveram formação clássica, com aulas de piano e francês. Dilma estudou no tradicional colégio Sion, onde as alunas falavam francês com as professoras. Dilma em 1965 transferiu-se para o Colégio Estadual Central, escola pública mista onde as estudantes secundaristas resistiam bravamente ao recente golpe militar. Foi a sua iniciação política que depois redundou em militância armada nos grupos Varpalmares e Colina. Serra teve uma origem mais humilde: filho único do também imigrante Francesco Serra,italiano da Calábria, um pequeno vendedor de frutas no mercado público e morador em uma pequena casa de quarto e sala, geminada a outras 24. O velho Serra trabalhava sozinho, mesmo assim não permitiu que o filho o ajudasse desde que o queria só dedicado aos estudos. Serra como Dilma foi líder de esquerda, não foi torturado, mas também foi perseguido pelo regime militar e exilou-se em vários países. Sobre seus hábitos pessoais se sabe muito pouco. Ao contrário dos de Dilma, que além da obsessão pelo teatro e mitologia grega, gosta de história e de opera. Embora tenham uma origem diversa, Dilma e Serra hoje parecem ter muito mais em comum do que eles próprios pensam: talvez a celebrada simpatia pessoal? Ou será que o que mais aproxima os dois líderes da corrida presidencial são as suas até então desconhecidas paixões por mungunzá, preferência só agora conhecida, fazendo com que largassem suas concorridas agendas nacionais e viessem neste sábado a Maceió somente para saboreá-lo, à beira-mar da Ponta Verde e ao som do frevo do Pinto da Madrugada para disputar no muque cada eleitor-folião ali presente? (*) É médico e professor da Uncisal.

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