Opinião
Liberdade econ�mica
Liberdade econômica sempre foi um objeto do desejo das sociedades humanas. Através dos tempos, o grau de desenvoltura dos protagonistas econômicos foi o combustível impulsionador para transformações marcantes. Anualmente, a Heritage Foundation divulga, em parceria com o Wall Street Journal, uma lista dos países segundo o grau de liberdade econômica. No mais recente desses estudos, o Brasil amarga uma deplorável 113ª posição dentre 179 países pesquisados. Poder-se-ia, de saída, questionar critérios da pesquisa, replicar com o insofismável sucesso da economia brasileira frente a mais recente crise global, e coisas do tipo. Mas, a verdade, irretocável, é que nosso País ? apesar dos avanços inegáveis ? ainda move-se manietado por práticas, culturas e legislações anacrônicas e retrógradas. Numa escala de pontuação variável de zero a 100, o Brasil conseguiu marcar 55,6 pontos na edição 2010 ? uma posição inferior a países com passado recentíssimo de opressão econômica como Azerbaijão, Moçambique e Filipinas. A menor pontuação brasileira desde o início da publicação do ranking foi 48,1 (em 1996); enquanto nossa melhor colocação foi alcançada em 2003, com 63,4 pontos. Nesta versão 2020, o documento avalia que ?entre os obstáculos enfrentados pela liberdade econômica no Brasil estão o custo relativamente alto para o crédito e a rigidez no mercado de trabalho. Já no campo de liberdade de negócios, o Brasil enfrenta um ambiente regulatório limitado?. No item relativo a direitos de propriedade, a pesquisa destaca que ?normalmente os contratos são considerados seguros no Brasil, mas a ineficiência do sistema judiciário pode fazer com que uma decisão leve anos para ser tomada?. Não há como negar: o estudo merece atenção dos brasileiros e deveria estimular mudanças mais incisivas em prol da liberdade econômica em nosso País.