Opinião
Dra. Zilda Arns
Perde o Brasil uma de suas filhas mais notáveis. Estava em São Paulo quando soube da triste notícia. Foi um sentimento geral na classe médica. Um verdadeiro choque na população brasileira de baixa renda que tinha na dra. Zilda um verdadeiro sustentáculo. Há dois meses a Academia Brasileira de Pediatria com o apoio da Nestlé, havia confirmado o seu nome para o grande encontro médico que será realizado aqui em Maceió em 10 de outubro sobre a Criança Nordestina. Há três anos tive a imensa honra de entregar-lhe ao lado dos membros da Academia Alagoana de Medicina o título de Homenageada de Honra, pelos grandes serviços prestados à Criança Alagoana e Brasileira. Dra. Zilda era uma grandiosa mulher, cheia de dinamismo e sonhos a realizar, todos voltados para o bem-estar das populações pobres do nosso País, principalmente nossas crianças, cuja mortalidade infantil era impressionante. Por convite de seu irmão, dom Paulo Evaristo Arns, criou a Pastoral da Criança em 1983, e daquela época até hoje foram milhares e milhares de crianças beneficiadas com o seu notável projeto de tornar as crianças do Nordeste e de outros pontos do Brasil alegres e saudáveis. Assim, o soro caseiro com duas medidas de açúcar e uma de sal misturados com água surgiu e salvou milhares de crianças desidratadas espalhadas pelo nosso território. E dra. Zilda com seu intenso dinamismo não parava de sonhar com a felicidade do ser humano. E expandiu o seu projeto para a saúde da gestante, da amamentação, vacinação e controle de peso. O trabalho da dra. Zilda ao lado dos primeiros voluntários, reduziu drasticamente a mortalidade infantil já no primeiro ano de suas atividades. Alagoas foi imensamente beneficiada pela Pastoral nesses últimos anos. Nossas crianças do interior choram sua partida, pois estão sadias e felizes. Hoje a Pastoral da Criança tem 210 mil voluntários que ajudam com o maior carinho e dedicação a realizar o sonho da dra. Zilda. Um milhão e oitocentas mil crianças com menos de 6 anos já foram beneficiadas e 95 mil gestantes. Desde 1966 a Pastoral da Criança Internacional atua, e hoje existe em 19 países, onde já salvou mais de 200 mil bebês, inclusive no Haiti, onde dra. Zilda encontrou a morte. Os desígnios de Deus são inexplicáveis. Ela andou muito para chegar onde chegou. Pesquisou, estudou, trabalhou, lutou. E Deus sempre ao seu lado. Foi uma mulher de muita fé. De repente esse Deus que tanto ela amava, a levou para sorrir ao seu lado. Como uma incógnita, como uma resposta a uma equação insolúvel, vamos apenas responder o seu silêncio. É morta dra. Zilda/Lá pro céu Deus a levou/As crianças estão chorando/Com saudade do seu amor. (*) É médico ([email protected]).