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Opinião

Ningu�m tem coragem de fazer diferente

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As coisas continuam as mesmas. Sempre as mesmas. Mudar não é bom para o governo. Muito menos para o poder. Ninguém tem coragem de olhar diferente, de fazer outra coisa. A ordem é olhar a mesma estrela, é pensar a mesma idéia, é estreitar-se no seu limite. Para além das novas soluções está o interesse: domina o lucro, impera a força dominadora. Por mais que se fale, por mais que se critique e vitupere, as coisas continuam como foram para que estejam como estão. Atualmente, muito se lê, muito se informa, pouco se pensa para criar. Fomos educados na aparência, alheios à verdadeira sabedoria. Recebemos informações sem aprendizagem; por isso permanecemos, despercebidamente, ignorantes, avaliando as mesmas coisas, na multiplicação dos encontros intermináveis, sem condições de conclusões. Nada se cria, porque tudo se gasta em cima das mesmas coisas. Por mais que se discutam os economistas e analisem os sociólogos, ?ninguém sabe ? diz Fernando Pessoa ? que coisa quer, ninguém conhece que alma tem, nem o que é mal, nem o que é bem. Tudo é incerto e derradeiro, tudo é disperso, nada é inteiro?. Somente o mesmo das coisas permanece. Um grupo de cientistas concordou em colocar cinco macacos numa jaula. No meio da jaula, uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada, em busca de bananas, acionavam os cientistas forte jato de água fria sobre os símios que se encontravam no chão. Após certo tempo, quando ia um macaco subir a escada, os outros derrubavam e o surravam. Passado certo tempo, nenhum macaco subia mais a escada, à procura das bananas. Foi o momento de os cientistas substituírem um dos macacos por um novo. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada para comer bananas, sendo, de logo surrado pelos outros. Após repetidas vezes, o novo integrante desistiu de subir a escada. Um segundo macaco veterano foi substituído e o mesmo ocorreu, com sucessão de surras. Nada mudou coma sucessão do terceiro, do quarto e do quinto macaco: todos foram espancados... Se fora possível inquirir a cada um deles, porque batiam em quem tentasse subir a escada, de certo seria esta a resposta: ?Não sei, mas as coisas por aqui sempre foram assim, dessa maneira?. (*) É bispo emérito de Palmeira dos Índios e presidente da Academia Alagoana de Letras.

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