Opinião
Freando o pequeno
Sem se deixar levar pela euforia do número em si, o Ministério do Trabalho, comemora o crescimento do crédito à microempresa em 26,6%. Num momento onde ainda é pesada a herança da crise recente, é assaz animador um índice de crescimento na ordem de 26%. Motivos para comemorar não faltam. Afinal são mais R$ 2,2 bilhões injetados no segmento que mais oferece empregos no Brasil. Destaque-se que esses recursos alcançaram a 1,1 milhão de brasileiros. Não há como negar o avanço, nem como não reconhecer o espaço estratégico (socialmente falando) onde está sendo dado esse passo adiante. Mas, como o próprio titular do ministério salientou, por meio de sua assessoria de imprensa, não podemos nos esquecer que ?essa é uma ação que tem potencial para atingir 15 milhões de trabalhadores [na condição de empresários de negócios de microporte], movimentando a economia?. Complementa o ministro: ?Para chegar até eles, temos que reduzir os juros e divulgar mais esse programa?. Está certo o ministério quando dimensiona em mais de uma dezena de milhões o número de brasileiros potencialmente clientes desse tipo de programa. Mas não basta ?reduzir os juros e divulgar mais?, pois na vida real (e duríssima) esse público formado por trabalhadores/empresários submetem-se a agiotas cobradores de percentuais escorchantes, chegando até eles sem quaisquer formas de propagandas de massa. Por que o Brasil ainda engatinha nesse tipo de programa quando o micro empreendimento pulula em todo território nacional? Não será porque esse empreendedor ainda teme a legalização plena? As sombrias histórias sobre a voracidade dos fiscos e das burocracias (municipais, estaduais e federal) ainda assustam a milhões e dificulta enormemente a inserção desse gigantesco setor. É hora dessa história mudar e velhos fantasmas serem aposentados.