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Opinião

Triunfo de dom Bosco

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Tive a dita de participar das duas apoteoses da peregrinação da urna, contendo relíquias insignes do Santo da juventude. A do Recife foi no dia 27, quinta-feira passada, no Santuário do Sagrado Coração, do qual sou reitor. Mas neste comentário, quero apenas destacar a maravilhosa celebração de intensa e entusiasta participação popular e juvenil, que foi a peregrinação da urna de dom Bosco em Maceió. A coordenação de todo o evento coube ? como não podia deixar de ser ? ao arcebispo metropolitano, dom Muniz. O padre Tito, com a Casa Dom Bosco e seus colaboradores (eram 230 na véspera) executou um programa de vastas proporções. Na hora da missa, a nossa Catedral estava apinhada, como nunca vi nos dezesseis anos que aí passei. Para se ter uma ideia dos participantes da missa, à hora do almoço foram servidas 1.800 ?quentinhas?, doação do Hotel Pratagy. A água gelada foi também uma gentileza de uma firma distribuidora de água mineral. A Casa Dom Bosco é indiscutivelmente a entidade da arquidiocese (?o gesto de amor da igreja de Maceió?) que mais atrai a simpatia das empresas particulares ? por exemplo a Usina Coruripe, o Hotel Pratagy e muitos outros. Os seus principais benfeitores provêm das paróquias de todos os estratos sociais. Algumas entidades governamentais vêm de maus olhos o trabalho, que é realizado na Casa Dom Bosco. Será despeito ou inveja porque não fazem o que é de sua obrigação constitucional: cuidar da criança e do adolescente em situação de risco? Tudo isso resultou no esplêndido triunfo que a igreja de Maceió, tendo à frente o seu Metropolita, prestou ao Pai e Mestre da juventude, como chamou dom Bosco João Paulo 2º, expressão que dom Muniz repetiu mais de uma vez. Posso dizer que do céu, dom Bosco, com seu suave semblante, sorriu para os seus filhos de Maceió. Os jovens aclamavam em coro: ?Vem dom Bosco sonhador, vem conosco caminhar!?. Mas também jocosamente gritavam: ?Dom Bosco, cadê você? Eu vim aqui só pra te ver?. Esdrúxula ideia essa ? para dizer o mínimo ? do nosso governo de importar órfãos haitianos para instituições de assistência à criança e ao adolescente. Em primeiro lugar, seria um ônus gravíssimo para essas instituições acolher esses meninos, com risco de fugas e outros problemas. Mas o que acho é que essas crianças que perderam pais, amigos, casa e escola, agora iriam perder também sua cultura, tão diversa da nossa e sofrerem um duro exílio numa terra desconhecida e tão diversa de seu país natal. (*) É arcebispo emérito de Maceió.

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