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Opinião

Obras e gra�as

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Na maturidade, meu pai adquiriu pequena propriedade na localidade Munguba, União dos Palmares. Era uma boa terra provida por várias nascentes, levemente montanhosa e cercada por poderosos vizinhos. Criado nos engenhos do Pilar, a nova atividade adquiriu transcendentes feições de comovido reencontro entre um velho realista e a sua remota infância. Homem prático, apenas alguns meses depois de instalado providenciou a construção de um pinguela de concreto sobre um córrego na rodovia, cujo transbordamento invernal transtornava o acesso. O detalhe é que a vida toda os governos prometeram fazê-la e nunca cumpriram. Um dia vou a União dos Palmares cobrar do prefeito o direito à denominação da ponte. Lembrei-me da ponte da Munguba ao ler na Gazeta que após oito anos de construção, finalmente, a ponte sobre o Rio Santo Antônio será concluída. Redenção do município, a gente fica imaginando como uma obra de 330 metros se arrastou por tanto tempo. Outra ponte, a Rio-Niterói, um pouco maior é verdade, também teve seu tempo de construção questionada. Com efeito, com quase quinze quilômetros de extensão, demoraria cinco anos para ser concluída, gerando polêmica, sobretudo ? pelos comentários maldosos - muito grana para os bolsos dos seus idealizadores, especialmente para um grisalhão simpático chamado Andreazza. Penso em grandes obras públicas e logo me remeto à assertiva de um ex-governador. Há alguns pares de anos, perguntado se estava havendo muito roubo o ?ex? foi curto e grosso: ?Com o marasmo vigente, nesse momento nada se rouba, simplesmente porque nenhuma obra pública está sendo tocada?. Não vamos ficar tristes com a nossa lentidão. As pirâmides do Egito levavam décadas para ficarem prontas. O próprio Arco do Triunfo, honra e glória dos franceses, demorou cerca de trinta anos para ser entregue. Hoje uma obra instiga a curiosidade. Há 3 meses o trânsito na Dias Cabral está caótico, justamente no cruzamento com a Rua Pedro Monteiro. A Superintendência dos Trens Urbanos de Maceió estaria mexendo nos dormentes dos trilhos, acho que é manutenção. Mas o que está enlouquecendo os motoristas é uma cimentação de cerca de 10 metros, no cruzamento das linhas com a rua. Como parece que faltou verba, médicos e clientes da Santa Casa, no limite da impaciência, estão se cotizando. Rigorosos cálculos de engenharia prenunciam gastos de 550 reais distribuídos com diárias de pedreiro e servente, areia, cimento e gorjetas. (*) É médico e professor da Ufal.

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