Opinião
Anarquia nas pistas
Fusão perigosa, muitas das vezes fatal, é a resultante da justaposição do aumento do tráfego de veículos, do sucateamento das estradas e do cerco das rodovias por malhas urbanas desordenadas. Seja ao Norte, seja ao Sul, essa junção de alta periculosidade se faz tragicamente presente. Há poucos dias, moradores de São Miguel dos Milagres construíram, por conta própria, três lombadas no leito da AL-101 Norte. As autoridades apressaram-se a dizer que procederão a retirada dos monstrengos. Mas o problema é anterior à essas irregularidades. Estranguladas, desde há anos, as precárias rodovias alagoanas precisam mais que reparos e/ou sonhos de duplicações. Duplicar é preciso, e urgente. Mas, mais necessário e muito mais urgente é a elaboração de planos diretores capazes de (pelo menos tentar) ordenar a ocupação do solo em torno das rodovias. Estreitas e perigosas em suas mãos duplas, as rodovias alagoanas estão sendo desfalcadas do que restava dos acostamentos. O ímpeto povoador fez com que incontáveis lares fossem construídos com seus batentes de entrada à beira da pista. Em função do vício pernicioso de se entender que área pública é terra sem dono, as faixas de domínio, os acostamentos e até as próprias calçadas têm sido ilegalmente ocupadas. Nesses perímetros onde deveria ser garantido um mínimo de segurança, edificam-se imóveis de todos os tipos. Pedestres passam a atravessar rodovias como se um calçadão fosse. E, vítimas de sua própria falta de urbanidade e da inação do poder público, reagem acrescentando mais problemas e perigos ao problema existente. Este é o caso das perigosas lombadas anarquicamente dispostas. Retirar esses monstrengos é uma necessidade para a segurança dos motoristas, mas a insegurança dos moradores, mesmo que irregulares, precisa de soluções urgentíssimas.