Opinião
Deus, ref�gio e fortaleza
Parece que foi ontem que os primeiros fogos retumbavam os céus, anunciando um novo ano. Como o vento, o primeiro mês do ano, fica para trás. Passou rápido aos que merecidamente descansaram do trabalho, da escola, dos compromissos. O descanso é sempre uma benção dobrada, pois enquanto relaxamos recebemos, alguém está na ativa. Para muitos, o doloroso mês de Janeiro fica na história e na contabilidade dos prejuízos. Não me refiro ao patrão que pagou em dobro seu funcionário, que enquanto descansava, recebia. Refiro-me aos milhares que neste mês, foram de maneira tão dura machucados pela força da natureza. Nem casas, nem muros, nem prédios, nada serviu de refúgio e fortaleza para enchentes, terremotos, que sem dó nem piedade deixaram suas marcas, aos que viram o mês passar lento, longo, doloroso. Em Janeiro, o Salmo 46 pareceu de uma atualidade ainda mais assombrosa quando revisamos tantos acontecimentos catastróficos. Ele fala da possibilidade da terra se transtornar, dos montes se abalarem no seio dos mares, das águas dos mares se agitarem, das montanhas tremerem violentamente. Há imagens mais atuais que essas? Como não temer essa fúria toda da natureza? O Salmista sabe que a natureza cobra aquela sentença dita quando a criatura quis ser Deus: ?Maldita é a terra por tua causa? (Genesis 3.17). E recorre ao Senhor dos céus e da terra extravasando sua fé com as palavras: ?Deus é nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações?. Deus não tirou férias em janeiro, não abandonou sua criação, enquanto esta repousava, Ele trabalhava em dobro. Mesmo que Deus esteja conosco, isso não significa que estaremos livres de desastres e catástrofes. Se nos sentimos abandonados, lembremos: Jesus experimentou esse tipo de dor, sensação e solidão (não é falta de fé!). Deus não nos abandona em nosso sofrimento, nem os remove, mas nos dá recursos para lidar com eles. Por isso Ele se fez carne em Jesus e veio habitar entre nós, assumir as nossas culpas, morrer e ressuscitar, para nos dar ingresso numa cidade futura que jamais será abalada. Ele é a rocha sobre a qual nossa vida é construída ao ouvirmos e praticarmos sua palavra. Aí sim pode vir temporal, ventania, enxurradas que a casa não ruirá, pois temos refúgio e fortaleza seguros (Mateus 7.24-27). É confortador saber que enquanto moramos nesta cidade, nestes tempos, não ficamos desabrigados de sua graça e auxílio (Isaías 41.10). (*) É teólogo e pastor da Igreja Luterana.