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Os museus de Alagoas e o milagre na rua 34

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É preciso explicar, para quem não conhece a história do velhinho que foi trabalhar numa loja de departamento, em Nova York como Papai Noel, e começou a indicar também outras lojas, quando não havia o presente desejado pela criança. O filme é um velho clássico conhecido desde 1947, do diretor George Seaton. Embora o enredo aborde a fantasia do Natal e o milagre da fé, para os alagoanos, sobretudo, dirigentes de algum equipamento cultural é preciso acreditar nesse milagre. Alagoas é um Estado teimoso onde a cultura tenta competir com as águas. O turismo, que aos poucos se espalha no varejo, pela capital alagoana se arvora em conhecer os seus equipamentos culturais, com pouquíssima informação. Visitantes estrangeiros ou mesmo brasileiros indagam onde estão os museus ou o que existe de cultural na cidade. Andam de cara para cima, vendo os prédios de soslaio, soltos das tribos de pele tostada. Em Jaraguá começa uma peregrinação, que com a boa vontade dos monitores e informantes dos museus, pode chegar até o Museu de Arte Sacra Pierre Chalita ou ao Mupa, seguindo o corredor cultural que tanto falamos. É aí onde entra o ?milagre?: a solidariedade cultural (digamos) para achar alguém com paciência para indicar, ensinar, mostrar o caminho e enfim, falar bem de Alagoas, sem comentar sobre assalto, violência, corrupção ou praia poluída. Todo visitante deveria ter em mãos alguma informação sobre a existência desses equipamentos culturais, com endereço, horário de visita, telefone, e-mail, imagens, alguma coisa. Custa caro? Custa! Mas esse é um investimento duradouro. Esse material deveria estar nas capitais brasileiras nos balcões das empresas de turismo e em Alagoas, a começar pelo aeroporto, nos hotéis, nas mãos dos guias, dos monitores, dos informantes, dos motoristas de táxis e em todos os museus, memoriais, casas de cultura, feiras e tudo o que possa ser visitado. Algo que tratasse cada entidade linearmente num mesmo espaço igualitário. Até onde o ?Sistema Alagoano de Museus? (criado oficialmente com decreto e tudo) poderia ajudar? Não sabemos. Mas uma coisa é certa: tornar ?o sistema?, realmente um sistema, onde os parceiros conheçam, mutuamente, os equipamentos culturais para poder indicá-los à visitação e completar o ?milagre? do turismo cultural em Alagoas, falando uma mesma língua. O sucesso dessa empreitada seria fomentar o espírito de coletividade e objetivos comuns, sem receios da perda do brilho próprio, com mais ação e menos vaidade. (*) É escritor.

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